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Saltos sem altos

Saltos sem altos

Vamos falar da Madonna?

28.03.19, Ana sem saltos

A polémica rainha do POP mudou-se para este cantinho ensolarado à beira mar plantado há coisa de 2 anos. Foi um zumzum por cá, uma honra inimaginável, quem diria, nós a albergar fama internacional. E a estrela muito feliz com a sua escolha, que portugal é um paraíso, este povo é amoroso, vontade de vos adotar a todos, etc e tal.

Instalada no afamado Ramalhete em Santos, (que dirá o grande Eça dos novos inquilinos), Madonna parecia estar muito feliz com a sua decisão de ter vindo morar para Portugal.

Até ter de lidar com a Câmara Municipal de Sintra.

(#benvindaaoterror)

Conta a nossa imprensa cor de rosa, sempre a par deste sanguinho que o tuga tanto gosta, que a senhora fazia tensões de gravar o seu próximo vídeo num palácio em Sintra, mais propriamente em Belas (não quero parecer alpinista nisto de ai e tal eu conheço a prima do tio do amigo da cunhada do manager da Madonna, MAS aquele largo de Belas foi palco da minha infância, primeira comunhão, e festarolas de Verão. Roam-se.) Depois de mandar cobrir tudo aquilo com telas, que já se sabe que o segredo é a alma do negócio, e não há terrinha portuguesa que não albergue uma pequeno rebanho de senhoras vigilantes de tudo e um par de botas, consta que a senhora quis também enfiar lá um cavalo. Vejam bem, não foi um Dumbo, ou um mamute descongelado dos glaciares, ou se quer uma orca amestrada! Não senhores, era só um cavalo, caramba! Um cavalinho LU-SI-TA-NO!

Ora, para já, todos sabemos que a Madonna é mulher de gostar de bicharada. Depois, é uma alma criativa, portanto, não sejam maldizentes, que uma alma criativa, principalmente dona de milhões, é uma alma excêntrica e há que nunca calar a voz da arte. O que a senhora ia fazer com o cavalinho dentro da Quinta Nova da Assunção (palacete do século XIX, com chão de madeira suspenso numa pobre e velha caixa de ar) é coisa que nunca iremos saber, e isto porquê?? Porque o senhor presidente da câmara disse logo que nem pensar, faltava mais nada, mas quem és tu mesmo?

"Dinheiro não paga tudo, menina!"

(ai não?)

E ela danada da vida, a açoitar o pobre do manager, que já se sabe que esta espécie de aristocracia sem sangue mas muito ouro, à falta de problemazecos de pobre, precisa de descarregar ansiedade em yoga e sovas na plebe que os bajula. Disse inclusive que ia falar com o primeiro ministro! Fosse eu a tua manager e resolvia-te isso em dois tempos, erraste na cunha filha, davas um toque ao Marcelo e ele aparecia-te lá com um coche de Cinderela e 18 cavalos encantados para poderes brincar à vontade.

Francamente.

Eu percebo-te, juro, TODA a gente sabe que a Câmara de Sintra é um inferno, para aprovar uma bodega de um muro num descampado são precisos 7 anos de muita paciência e dinheiro para estoirar em licenças e licencinhas.Tu não sabias, pronto, és novata nisto, mas ficaste a saber.

Agora quero ver como é que vai ser. Quem é que vai responsabilizar o Basílio pela quebra no turismo?? Hum? Como é que nos vamos erguer desta vergonha??

É por estas e por outras que não saimos da cepa torta meus meninos, que falta de visão.

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Five maddi, #tamojuntas.

#soquenão, evidentemente.

 

 

A importância dos professores da primária

27.03.19, Ana sem saltos

Estão a ver aquela miúda irritante de óculos cor de rosa, cadernos diários impecáveis com desenhos de corações nos cantos das páginas, que ali em agosto ficava com borboletas no estômago ao ver os primeiros reclames (reclames <3) de material escolar na televisão, e de TPC's sempre feitos a horas?

Olá, sou eu em finais de 80, 90's (#buénova).

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(a tentar focar uma cereja sem óculos)

As memórias são uma coisa muito engraçada, eu que sou uma perfeita dory para, basicamente, xacaber...

 

TUDO

 

(até do nome dos meus filhos me esqueço... Ohhh... ai... ohh.... TU AÍ LOIRO, LARGA IMEDIATAMENTE O TEU IRMÃO! Ou quando ligamos para marcar consultas e nos pedem a data de nascimento dos nossos filhos... e eu tenho suores no buço, ali em desespero a contar pelos dedos das mãos o tempo para trás)

 

depois tenho memórias que estão de tal forma cravadas em mim que até lhes sinto o cheiro.

Lembro-me perfeitamente do meu primeiro dia de aulas na primeira classe (adoro ser antiga e dizer classe), toda eu amorosa e cor de rosa, um estrondo de expectativas desde o início do verão, mochila de couro nas costas (pegas das alças magoavam-me de morte nos ombros), entrar na sala de aula, e aquele cheiro....

 

(pausa para chorar).

 

Ora foi nesse dia que conheci a professora Salete, que foi assim um marco na minha vida. A professora Salete era uma senhora nos seus 60 anos, cabelo içado em aste com meia tonelada de Elnett, sempre impecável, não me lembro alguma vez de ter visto aquele cabelo diferente, batom cor de rosa numa boca muito fininha, óculos de massa, tipo tartaruga, sempre de bata branca em contexto de sala de aula, e com uma pequena varinha de madeira na mão esquerda a que chamava de mosca. A mosca, nos tempos de hoje, levaria a senhora ao despedimento, porque era com ela que a professora Salete nos dava pequenos toques nas mãos quando estávamos desatentos. 

Calma não se enervem. Estamos noutra época com uma professora já fora de época, e, garanto-vos, foi a melhor professora da minha vida.

Betinha, certinha e com uma necessidade suprema de agradar os outros, eu desenvolvi uma verdadeira paixão pela professora Salete. Foi com ela que iniciei os primórdios do meu amor pela escrita em poesias e histórias que ela aplaudia tão entusiasticamente que me mandava ir lê-los para as outras salas de aulas (provavelmente o meu momento áureo na fama nisto da escrita), foi com ela que desemburrei do pânico pela matemática, foi com ela que se formaram as bases mais importantes para então poder vir por aí fora toda maluca até terminar uma licenciatura que me serviu para... nada. Mas isso são outros quinhentos.

Mais importante do que tudo, enquanto ela ensinava, mesmo usando a mosca de tempos a tempos, cantarolando rimas como

 

"quem multiplica cifrão por cifrão leva um safanão"

 

era próxima de nós, muito carinhosa, e uma referência fortíssima que nos dava segurança para avançar. Estes alicerces tornam a aprendizagem intuitiva e prazerosa, porque desenvolvem, acima de tudo, o gosto por aprender.

E a primária é aquele primeiro passo incrivelmente importante, para que o restante caminho possa ser feito sem grandes tropeções.

 

Vejo o mesmo agora com o meu recém nascido mais velho, que tem a audácia de estar já no segundo ano (CLASSE, caguei nos modernismos). Sendo ele bastante diferente de mim no que toca ao compromisso com a escola (tenho verdadeiras taquicardias nervosas cada vez que pego naquilo que ele chama de caderno diário e que a mim mais parece um pobre defunto sobrevivente a 5 catástrofes nucleares), a professora dele é aquela referência no que toca ao saber. Para além de eu sentir que ele gosta mesmo dela (engana-se muitas vezes e em vez de me chamar mãe, chama-me pelo nome da professora - se isto não é sinal que posso amar de paixão a senhora que ensina o meu filho, então não sei o que poderá ser), ela é também aquele argumento infalível quando existem guerras lá em casa para se fazer os trabalhos de casa:

_ Ok, não queres fazer, ótimo, essa não é uma obrigação minha, sim tua. Escreve aí no teu caderno para a professora ler amanhã: eu não fiz os trabalho de casa porque não quis. 

_PRONTO ESTÁ BEM VAMOS LÁ..... (entre lamentos baixinhos, a minha vida é horrível, isto é o meu pior dia de sempre...)

<3

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Isto só acontece, porque para ele é importante não desiludir a professora, porque gosta dela, porque a admira e quer impressionar. E sei isto porque o mesmo não acontece noutras situações em que ele não revê respeito e cuidado.

Vejo crescer no meu filho uma curiosidade por tudo, um interesse em saber mais, e até para a leitura, que ele, rapaz assumidamente de números, fazia com sacrifício, começa a dar os primeiros passos por auto iniciativa e prazer.

Acho que todos nós devemos um GIGANTE obrigada aos professores desta fase tão importante no conhecimento, que junta um início de trabalho (que só parará na reforma, no caso do meu filho, talvez pelos 105 anos, mas ele ainda não precisa de saber isto) com a infância ainda no auge, sedenta de regras e amor.

É este dueto que torna um professor uma referência na vida de uma criança que, nunca se esqueçam, será o adulto de amanhã.

 

 

Escrever para não esquecer (II)

26.03.19, Ana sem saltos

_ Quando eu for quexido, e a mãe for munta velha eu vou pegar-te ao colo.

_ Esquece, já te proibi de crescer.

_ Nã, nã, eu vou ter XINCO ANOS.

_ ACABOU A CONVERSA. 

_ E depois xeis..

_ Mau...

_ E depois tinta e xete...

_ MANEL!

_ Mas eu vou quexer..

_ XIU!

...

_ Quando eu for quexido esta caja vai xer a minha cajinha.

_ Qual? A nossa?

_ Xim.

_ Então e a mãe e o pai?

_ Xei lá eu!

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(certo.)

O que muda depois dos filhos?

25.03.19, Ana sem saltos

Podia resumir este post com a mais sincera e completa resposta de todas.

TUDO.

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(tidi)

Mas como tudo é uma coisa relativa, detalhemos. Não julguem que vos vou falar de estrias, ou outras futilidades que tal. Ter filhos traz alterações muito mais profundas, vamos a elas.

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(#poderdaesfregona)

1. Noção do tempo

Quando penso no decorrer da minha vida, o ritmo com que sinto a passagem do tempo é completamente desconexo. Parece que até ali à faculdade tudo demorou imeeeeeenso tempo, os primeiros anos de casamento foram super extensos e cheios de aventura, e de repente sou mãe, e desde então todos os dias ao acordar tenho medo de encarar o espelho e descobrir que já tenho 102 anos e uma tonelada de bisnetos.

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(como assim já é 2019??)

É uma coisa estranhíssima. Os primeiros 1/2 anos deles também passam assim em slow motion, mas no meu caso em específico acho que se deve à tortura de privação de sono a que fui exposta. Depois, há um aceleramento exorbitante de tudo. Olhamos para um bebé, viramos a cara dois segundos e quando olhamos de volta eles e são pequenas pessoas que se atrevem a dizer-me diariamente perante os meus lamentos com aquele excesso de tamanho "Mãe, eu vou (estou) crescer, ponto. Get used to it".

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(ohmaigó)

2. Noção de espaço

O tamanho das crianças é inversamente proporcional à catrefada de tralha que necessitam. Quando aterramos em casa com o meu recém-nascido mais velho, uma casinha a ser estreada nesse momento, e ainda com obras a ocorrer na parte de fora, demos por nós e passar o hall de entrada tornou-se uma verdadeira corrida de obstáculos por ovos, carrinhos, espreguiçadeiras, futura cadeira da papa, berço da sala, alcofa, carrinho com fraldas, fraldário, parque, e por aí fora. Uma pessoa caber em casa com o seu próprio filho é um verdadeiro milagre. Para além disso, a presença deles invade forma maravilhosa todos os recantos, mesmo os mais refundidos, de dentro e de fora de nós. Primeiro com o choro, depois o sorriso, depois as probabilidades de quedas aparatosas, depois com o mããããããããããe que ainda hoje dura.

Para além disso, passa a ser uma coisa absolutamente razoável existir um canto de brinquedos na sala, três amontoados de bicicletas, pás e baldes na rua, e um milhão de toneladas de roupa minúscula para lavar (e estender, e arrumar, e escolher, e DEPOIS TUDO OUTRA VEZ - é meia óbvia a minha relação com a roupa), uma gaveta de talheres cheia de cor e um frigorífico quase a perder a porta pelo peso das centenas de desenhos que mais não são do que rabiscos mas nós encaramos como verdadeiras obras de arte.

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<3

É uma coisa sufocantemente linda, esta de termos um espaço infinito precisamente por não termos espaço.

3. Noção de liberdade

Não é só daquela liberdadezinha do "não quero cozinhar um pacote de amendoins está ótimo", ou do "apetece-me ir á praia, fui". E Isto pode parecer mórbido e estranho, mas há um fenómeno que ocorre quando somos pais, que parecendo "mau", é na verdade um privilégio medonho. A partir do momento em que decidimos pôr vida neste mundo, cai-nos nos ombros a incrível responsabilidade de permanecermos vivos. Para além de todas as outras, claro está. Isto tem, evidentemente, as suas limitações, mas o grande direito que perdemos com a maternidade é o de escolher morrer. Este amor que nos invade de forma tremenda toda e qualquer artéria do corpo e alma, esta coisa estranha que é sentirmos que há uma parte (soberba) de nós mesmo que passa a acontecer "fora" de nós, do nosso comando, da nossa vontade, enche-nos de um medo às vezes paranoico e inútil de que algo lhes aconteça. E se há coisa que passei a temer foi a de morrer e deixar de estar cá para eles.

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(remeber this? Ainda é possível, só temos de planear este momento com três semanas de antecedência)

 

 

Escrever para não esquecer (I)

22.03.19, Ana sem saltos

Ser mãe das criaturas mais bestiais deste universo e arredores tem muito que se lhe diga. Aquele cliché maravilhoso que diz que aprendemos muito com eles é mais do que verdade, é mote supremo de vida.

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Para além de todas as coisas que eles me ensinam diariamente (como sejam, não se diz palavrões, é possível aguentar 45 toneladas de areia num micromachine de 4 mm, o amor não se esgota, pelo contrário, multiplica-se feito praga, meter as mãos na terra pode ser assustador e maravilhoso, arroz com carne picada misturado numa gamela pode satisfazer mais do que sushi, etc etc etc), a minha cria mais nova tem uma capacidade inacreditável de me levar a viajar pelo nonsense/imaginário/assustador/seiláquevosdiga.

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(kékefoi??)

Todos os dias tenho conversas com ele, nomeadamente no momento em que vamos só os dois buscar o irmão à escola, que, digo-vos, atiram-me num precipício alucinante e mágico, numa viagem contada pelo maior consumidor de alucinogénios deste mundo.

Alice no País das Maravilhas? pffff, pura racionalidade e lógica pura e dura ao pé disto.

Como sou uma dory muito velhinha, morro de pena, porque me vou esquecendo da maior parte delas. Por isso resolvi começar a escreve-las, não só para mais tarde recordar, mas também para lhe espetar na tromba quando eu for velha e senil e ele me quiser pôr num lar.

Conversa (I)

_ Hoje na escola brinquei com a Beatriz.

_ Boa filho.

_ Amanhã há escola?

_ Há sim.

_Olha o leão!

(... modo automático conduz/conversa/apressa)

_ Mãe. Quando eu tiver xeis anos, vou ter uma doenxa munta grave.

(Acordo)

_ Manel!

_ Xim xim mãe. Munta grave mesmo. Xama-xe coruja.

(tento ignorar este rumo, e espero que ele me fale de bolos de amendoim, árvores que dão brigadeiros ou coisa que o valha)

_ E vai xer tão grave, mãejinha, que eu vou morrer.

_ MANEL

_ QUE FOI??

_ Essas coisas não se dizem manel...

(palpitações nervosas por toda eu)

_ TAVA A BRINCAR MÃE. Coruja é um animal, não xabe??

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(burra, uma pexoa tem que explicar tudo)

 

 

Assumidamente demodé

21.03.19, Ana sem saltos

(já usei esta expressão algures por aqui)

Não me interpretem mal. Ainda que morem dentro de mim 4 trolhas boçais amantes de minis e tremoços e 3 hippies descalços com terra nas unhas, sou mulher assumidamente vaidosona, daquele tipo insuportável que não sai de casa sem um rimelzinho, nem que seja para ir ao lixo. Se há coisa que anima esta alma por vezes confusa e triste é botar de um salto alto e um batom.

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MAS, nos entantos, há coisas que por mais que eu me esforce, pura e simplesmente não consigo entender. Sou, por isso, uma espécie de pindérica clássica, há modas que não me entram. Vamos a elas.

Unhas de gel

Se há uns tempos a coisa estava reservada a um nicho não qualificável como, enfim, aspiracional, de repente não sei que raio de voltas deu o mundo e virou O hit do momento. Há verdadeiros ateliers para garras, e, entendendo eu que aquilo possa ser classificado como obra de arte - a Vasconcelos é artista, ainda que não se entenda muita coisa - fica por perceber a capacidade, primeiro, de se sobreviver aquilo.

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:|

Alguém me explica como é que a portadora de semelhantes dedos pega num filho sem lhe sacar o fígado ali ao primeiro amasso? Ou como é que escreve uma mensagem num Iphone, pronto, para quem não é mãe? Ou como é que coça o ombro sem virar Cristo?

Para além do que, epa, como dizer isto... É feio. Pronto.

Não entendo, por mais que me esforce.

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(Umas destas ainda entendia, já estou a ver todos os rodapés de lá de casa a brilhar <3)

Filtros

Não é do café, que desses sou fã.

Lembro-me de quando apareceram aquelas primeiras aplicações que as pessoas usavam, maioritariamente com os filhos, e de quando em vez partilhavam. Tudo com olhinhos de gato das botas, orelhinhas de urso, bigodinhos de coelho. Amoroso, achei que era daquelas coisas que pais desesperados punham no telemóvel para calarem uma birra monumental num jantar no Olivier. Só que afinal não. As pessoas APRESENTAM-SE por de trás daquelas máscaras, que ainda fazem vozinhas como se tivessem acabado de snifar 45 litros de hélio. Porquê? Se me dissessem que eram terroristas a esconder a identidade, vá, eu ainda perceberia. Não sendo... PORQUÊ, PESSOAS?

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Não vou falar daqueles que transformam um velho saco de peles acabado de acordar numa princesa da Disney maquilhada e sem rugas, que esses, bom, já envolvem ego e autoestima e são temas reservados a especialistas.

Mas, podendo eu que este espaço é meu, aqui vos digo de coração: aceitem-se e amem-se mais, pessoas. Eu sei que a pressão é imensa nesta globalização atualizada e partilhável ao micro-segundo, mas não cedam, SEJAM FORTES.

Como diz a Matinal, se eu não gostar de mim, quem gostará?

(o mantra do leite)

<3

(Vou transformar este post numa rúbrica. Agora só me lembro destes dois, mas eu sei que nos confins mais escondidos desta memória de orca idosa há mais coisas que agora não me estão a vir à mente.)

Dia do pai

19.03.19, Ana sem saltos

Talvez seja por causa deste legado imenso que me persegue, mas estou rodeada pelos melhores. 

O meu avô

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Ensinou-me a voar e a sonhar. Falou-me de beaufighters, da guerra, de esquilos e de Nossa Senhora. Rodava o meu corpo pequenino na piscina e levava-me a jogar golf quando na verdade era só um pretexo para apanhar bolas perdidas no campo. Oferecia-me chocolates fora de horas e nunca me negou um abraço (nem nada). Adormecia invariavelmente no sofá mas nunca ficava rabujento quando o acordavamos. Sabia de fé, de amor, de humildade, de história, de filosofia e de perdão como mais ninguém neste mundo irá alguma vez saber.

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O meu pai

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Minha referência em tanta coisa na vida. Único na capacidade de transformar uma coisa triste noutra extremamente cómica. Fica hirto num abraço, mas valoriza-o mais do que ninguém. É excêntrico, histérico, engraçado e justo. Adora tecnologias e tem uma verdadeira enciclopédia videográfica do nosso crescimento. Ama música e põe os filhos sempre à frente de tudo. É o meu pai, e eu tenho um imenso orgulho em ser a sua filha (que o fez pai).

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O pai dos meus filhos

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Meu companheiro, amigo e amante, minha metade melhor desde os meus 17 anos. Ensinou-me a confiar em mim mesma, para então depois poder ser esta absurda multiplicação de eus: eu mãe, eu mulher, eu pessoa no mundo. É o lado mais alegre de um lar já por si alegre. Deu-me dois filhos, e fez de mim a rainha de lá de casa. Ensinou-me que as coisas se fazem todas, desde que saibamos que um passo se dá depois do outro. O homem mais dedicado e leal aos seus. Cúmulo da honestidade e princípios. Para culminar este cokctail já por si explosivo... É  um bife do lombo. E é meu.

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Vantagens de não ter empregada

18.03.19, Ana sem saltos

Estava eu este fim de semana no meu momento de instrospeção semanal, sozinha em casa a aspirar/esfregar/varrer/limpar/sacudir/bater, quando penso para mim:

Pobres almas que têm empregada.

Isto num daqueles momentos em que começamos a ver o caos a ganhar um espécie de ordem, aquele tipo de ordem que só o dono do caos compreende. São momento de reflexão intensos, estes em que me atiro à bodega de uma semana como se não houvesse amanhã. Em primeiro lugar, saberão vocês, pessoas que aos sábados de manhã têm como dilema a escolha do lugar do brunch, o PRAZER absurdo que uma pessoa sente quando mete o aspirador a trabalhar numa sala não aspirada há horas suficientes para ouvirem aquela sonata INACREDITAVEL das porcarias a entrar aspirador a dentro???

Quem não conhece este tipo de detox de alma é infeliz, só pode. Não há sensação de satisfação e concretização maior do que aquele brhbsbdughkjasdbKSBbrhjbasdb que fazem as miglhas, pedrinhas, areia, paus e caruma a serem implacavelmente sugados pelo aspirador. Já não falando do climax vitorioso pós sonata: meter o pé descalço no chão E NÃO SENTIR UM UNICO GRÃO DE AREIA!

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(sonata ao luar)

Em segundo lugar, para quem precisa de uma tonelada de estímulos para se sentir minimamente satisfeito na vida - um spa, um almoço num restaurante com 7 estrelas michelan, etc etc etc -  vou-vos dizer, que eu sou amiga e acho que este mundo está a ir na direção errada.

Está tudo mal.

Está mal por várias razões, e a primeira é porque, enfim, é caro. Uma pessoa mete a pata fora de casa e, PIMBA, já está a pagar. A segunda... ora eu sou uma mulher naturalmente exausta, que eu sei que sou, mas vou-vos dizer, antes esfregar 47 azulejos da cozinha do que viver nessa permanente corrida para combater a insatisfação, num mundo cada vez mais (irrealmente) instagramavel. Esqueçam filhos, que canseira. Satisfação pura é a de estrear uma esfregona nova.

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(#eternamenteinsatisfeitos)

Em terceiro lugar, e agora mais pedagogicamente falando. Não ter empregada é uma lição de vida para os pequenos monstrengos que temos em casa. É não só porque inevitavelmente os pomos a colaborar connsoco - mais não seja a içarem as pernocas para passarmos a esfregona por baixo - mas também porque eles vêm uma coisa que esta era parece querer ocultar. Viver dá trabalho, ter coisas dá trabalho, conseguirmos o que queremos dá trabalho. Na verdade, são precisamente as coisas que nos dão trabalho, que nos ensinam a valorizar devidamente este amontoado de bençãos que nos chovem no colo diariamente, e que tantas vezes não somos capazes de ver. Coisas essas que podem ser tão simples como obervar um vidro da janela da sala de tal forma imaculdo que leva um ou dois passarinhos ao engano e inevitável e descomunal cabeçada. Ainda que este vislumbre de limpeza dure apenas. DOIS. MINUTOS.

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O poder das rotinas

14.03.19, Ana sem saltos

Olá. O meu nome é Ana sem saltos e eu sou a BOSS das rotinas.

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(obrigada, obrigada, obrigada)

Esta é uma característica minha, imagino eu que genética, de tal forma me está entrenhada no ADN.

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(eu a planear rotinas com cerca de 8 anos)

Psicanálises à parte, as rotinas podendo parecer uma coisa que sobrecarregam a vida de ... tédio, a verdade é que a mim dão-me segurança. Sou tipo os putos, gosto de saber o que vai acontecer a seguir, embora uma boa surpresa me caia sempre bem no bucho.

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(isto sou eu perante uma surpresa daquelas mesmo boas)

Falando em putos, e contextualizando vossas excelências num pequeno resumo da minha (super fashionable) vida. Tenho dois filhos, uma casa amorosa e (graças a deus) pequenina, um cão, um piqueno jardim, alfaces plantadas, cada filho na sua escola com uma hora de volta para os apanhar aos dois, um já está no 2º ano, trabalho, não tenho empregada, e lidei com muitos anos de privação de sono. Isso faz de mim o quê?

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(eu a pensar que tenho de ir apanhar a roupa antes que caia a cassimbada noturna)

Nada, filhos, faz de mim uma mulher como tantas outras neste mundo.

Cada qual tem as suas armas e a minha para sobreviver ao caos e à perfeita anormalidade do dia apenas ter 24 horas, é a ROTINA. A rotina tem poderes sobrenaturais, principalmente sobre as crianças. Eles barafustam, refilam, levam-me à loucura com aquele filhodamãe daquele "não" sempre na ponta da língua, MAS, a verdade é que saberem, por exemplo, que antes do banho não há brincadeira,  ajuda-os a eles a não levarem sovas diárias, e a mim a conseguir sobrevoar sobre o tempo e tê-los lavados, brincados, cheirosos, jantar pronto e devida mini no bucho antes de começar a berraria do costume "TENHOFOOOOOOME".

Todos os dias acho que não vou conseguir, que não tenho força, ai jesus que porra vem a ser esta da roupa suja se multiplicar à velocidade da luz, e se não eu lhes desse banho, e se jantassemos pistachos, e se eu fechar os olhos e fingir que ESTA REALIDADE NÃO É MINHA LALALALLA? Mas depois consigo. E ainda que de avental, luvas, carrapito no alto da mona, e dores no peito de um ou dez dois gritos, a verdade é que me sinto sempre super poderosa por conseguir... o que toda a gente consegue.

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Não interessa.

Todos os dias é igual mas todos os dias são um desafio. E eles crescem, e crescem, e não tarda têm pelos no peito e rebentam-me com o stock de sagres em casa, por isso é aproveitar as pequenas magias que vão surgindo a meio destas rotinas às vezes catastróficas e duras de levar em frente.

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Eles precisam de segurança, e eu também.

 

O papel dos avós na era moderna (e sempre)

13.03.19, Ana sem saltos

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(é mais ou menos isto)

Ah a viagem que eu fiz agora na memória... Casada de fresco, cheia de planos e vontades, a planear uma extensa família de 6 filhos...

<3

E eu, super sábia e capaz, sem entender a dependência dos pais que via de tantas amigas para o mais básico dia a dia com filhos... Não senhor, hum hum, então se uma pessoa se atira nisto de ser mãe/ pai, tem de assumir as responsabilidades da coisa e não pode sobrecarregar os avós que já tiveram o seu papel nas nossas vidas.

#coraçãoaosestoiros.

POIS.

Bom, o que vale é que eu tenho um anjo da guarda vidente que, sem eu saber, me trouxe para perto da minha mãe aquando do nascimento do primeiro dos meus seis dois filhos. Porque, vou-vos dizer sem qualquer tipo de embaraço ou vergonha, EU PRECISEI DESESPERADAMENTE DA MINHA MÃE! E isto porquê? Porque, amigos, a nossa vida não é fácil. Esta coisa de conciliar os 3589 papéis que temos de desemprenhar impecavelmente, a começar pela dualidade maravilhosa e tão debatida maternidade/carreira emprego, não é para meninos. Somos uma espécie de hulks da vida moderna, só que escanzelados, com olheiras e exaustos, a saltitar de um lado para o outro e sempre em atraso.

Para começar, o nascimento da cria. AHHHHHH, que momento bonito, sim senhores. O cheirinho, as mãozinhas, os barulhinhos, os lacinhos, é tudo muito mágico e maravilhoso, que é, mas depois há detalhes que não sabiamos. Tão básicos como, sei lá, tomar banho. Estão a ver aquela coisa mundana do despe, entra no duche, lava, sai e seca? Pois bem, depois de nos nascer um filho, passa uma verdadeira guerra dos tronos com todas a temporadas a ocorrer em simultâneo. Eu não sabia disto, NINGUÉM ME AVISOU!

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(eu depois de um banho e com o amaciador quase (QUASE) totalmente tirado da crina)

Depois vem tudo o resto. Uma pessoa trabalha, e já se sabe, esta sociedade é muito evoluída e  dada à família, portanto a facilidade de concilar trabalho com creche-doenças-noites mal dormidas-reuniões de pais-doenças-dia da mãe-doenças-dia do pai-consultas-dia da avestruz perneta-doenças - é perfeitamente harmoniosa e fazível.

#soquenão.

Principalmente com aqueles olhares de esguelha e comentário entre dentes - boas vidas, sim senhora! -  de pessoas que entram três horas depois de nós, almoçam em mais duas horas do que nós, quando saímos (vejam bem que coisa estranha) a horas e em modo fúria para uma correria desesperante de fim de dia.

<3

Para além disso. Convenhamos, o papel dos avós no crescimento de uma criança é não somente "útil" mas também aquele açucar necessário para uma infância devidamente equipada de fadas, sopas com pera batida em biberões, massagens na nódoa negra invisível no sofá, 15 meias porque está frio, chuchas fora de horas, e ovos kinder antes do jantar. E é justo. É mais do que justo. Todos nós precisamos dessa magia, principalmente numa era em que os desgraçados dos pais voam de segundo em segundo para conseguir cumprir com tudo.

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(Há melhor coberta do que a encharpe de uma vóvó?)

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(há melhor chapéu do que uma fralda?)

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(ou então a pachorra para tintas num dia de doença com a casa virada de pantanas, um bebé ainda à espera de almoço, e uma noite de três horas de sono?)

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(enfim, perceberam a mensagem, certo?)

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