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Saltos sem altos

Saltos sem altos

Coisas que a aprendi ao ser mãe

31.05.19, Ana sem saltos

Estamos convitos que estamos cá para ensinar os pequenos embrulhos que nos arracam o coração para fora do peito, mas não senhores. Eles é que nos ensinam a nós. Mas não lhes digam nada, deixem que a vida os ensine quando for a vez deles de serem sovados com esta brutalidade de amor.

#avingançaservesefria

Então ora bem, desta longa caminhada na maternidade vou-vos fazer uma pequena shortlist dos principais ensinamentos que tenho vindo a retirar:

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(Há 1 milhão de anos atrás... <3)

 

1. Sim, a tua camioneta aguenta

Sabem aquela expressão "areia de mais para a minha camioneta"? Esqueçam, até porque a areia consegue entrar por espaços milimetricamente ínfimos. Além disso, de um pequeno micromachine todo torto, sem rodas e altamente carregado, passamos rapidamente a camião tire do hulk carregados com toneladas infinitas de pedregulhos. E atentem bem ao que vos digo. Levamos aquilo tudo, a bater ovos mexidos com as mãos enquanto subimos o Evereste ao pé coxinho.

Aguentamos, sim, as noites, os sustos, as fraldas a estoirar fezes na praia, este vírus do amor a propagar-se desenfreadamente por nós fora.

Somos super poderosos e esses poderes são exponenciados com a maternidade.

Obrigada filhos.

 

2. Há nódoas que não saiem

Não saiem MESMO. 

 

2. Como provocar a dor mais lancinante do universo

Se tiverem de torturar alguém - tipo imaginem que apanham um membro do daesh e conseguem fazê-lo refém em vossa casa - esqueçam aquelas coisas sinistras que se vêm nos filmes do género do James Bond. Tortura verdadeira e capaz de mandar qualquer um ao ar é acordar pela milésima vez à noite, estar azamboado de exaustão e desespero, ir a caminho da cria e....

pisar um lego.

pisar lego.gif

Odeio legos.

 

3. Paciência

Um coração a latejar ferozmente com esta. Um filho é um treino intensivo à paciência de uma pessoa. Advém da persistência deles e do amor que nos provocam. É possível jogar as escondidas depois de um dia de cocó, explicar 189 vezes o que é amanhã, fazer chá de casca de cebola e gengibre às 4:21 da madrugada, cantarolar em modo loopsinfinito a música dos caricas, com coreografia e tudo, contar berlindes antes de aspirar a casa, e nunca desistir de lavar as meias deles, ainda que saiam igualmente nojentas da máquina. Se isto não é paciência então não sei o que será.

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(esse pijama era novo há 3 minutos, mas boa filho, ganda slime de maizena, terra e água... ONDE FOSTE BUSCAR A MAIZENA???)

 

4. Pânico

O verdadeiro sentido desta palavra pari-o com os meus filhos. Podendo parecer mau, que às vezes é, também nos dá uma valorização das coisas boas que temos que valha-me Nossa Senhora dos Aflitos. Há hipóteses tremendamente assustadoras.

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(se vos perco morro se vos perco morro se vos perco morro)

 

5. Resistência

Lembro-me de nos meus tempos de estudante, naquela reta final de exames e trabalhos, ali mesmo antes de atirar as reais nálgas para uma praia durante T-R-E-S M-E-S-E-S seguidos, achar que não aguentava mais. Depois começamos a trabalhar. 20 e poucos dias de férias????? Trabalho todos os dias de manhã à noite??? NÃO, AGORA É QUE NÃO AGUENTO MAIS. E chegava a casa e morria no sofá a lambuzar uma tosta de pão de anteontem porque não havia forças paera rigorosamente mais nada.

E depois os filhos.

Um minuto de silêncio.

Acredita. Aguentas. Muito. Mais. Do. Que. Imaginas. Muito. Muito. Muito. Mais

 

6. Dodots

Juro que não sei como vivi toda a minha vida até ser mãe sem dotots. Descobri-os com os meus filhos e apesar de eles já serem semi adolescentes gigantes ainda lhes limpo com dodots aquele bocado de iogurte que seca ao sol mesmo por debaixo do nariz. E nódoas nos sofás. E banana do chão (com seis meses de fermentação). E base das mãos. Ui o potencial de um dodot, já não vivo sem eles.

 

7. Iogurte natural com bolacha maria.

Só por isto já valeram as dores das duas cesarianas.

Na barriga e no coração.

 

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Quantidade não é qualidade

28.05.19, Ana sem saltos

Agora até está na moda esta coisa do desapego. Quem segue 350 milhares de influencers ou lá o que é, tipo eu, sabe que é super in esta coisa de nos desprendermos das coisas. Mas vamos lá a ver com honestidade, quem é que efetivamente se desapega de coisas? É que ir acampar em tendas aquecidas com ar condicionado, camas lavadas, com uma garrafa de vinho branco gelada (ainda que sem rotulo) bebida em pufs marroquinos, não está propriamente a fazer desapego de coisa nenhuma.

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(Talvez um pouco de nada, senhora? Médame?)

 

Bom, mas isto para vos dizer que andei aqui em meditações profundas sobre a vida e o sentido das coisas e cheguei à magnifica conclusão...

de nada, não cheguei a conclusão nenhuma. Sou uma moribunda nisto de filosofar. Mas sei de fontes seguras, experiência própria, que em quase tudo (quase, atenção) menos é mesmo mais. Ora reparem.

 

Biquínis.

Homens que leem este antro, digam-me lá se não tenho razão, menos não é muito mais quando falamos da quantidade de tecido utilizado na manufaturação de um biquíni?

Estou a brincar. Não é nada, porque não somos todas Irinas, e quando temos de correr dunas a fio, saltar ondas para impedir afogamentos, construir castelos de areia ali mesmo no quebra coco, ou barrar atum em sandes aos guinchos com as crias, convém ir com as flacidezes bem seguras dentro de tecido também ele bem seguro, tipo aqueles fatos de mergulho para se ir ver placas tectónicas ao fundo do Atlântico. Andar ali em desespero a puxar por um tecido que pura e simplesmente não existe não só é patético como profundamente desconfortável.

 

Expectativa (já falo sobre ela)

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(Ai que massada os miúdos estão pegados ali mesmo à beira mar, deixa-me lá ir resolver pacificamente este assunto)

 

Realidade

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(OLHA LÁ, FAZES O FAVOR DE NÃO AFOGAR O TEU IRMÃO?????????)

 

 

Expectativas (ei-la).

Eu sou a pior neste ponto, sou capaz de construir expectativas de galáxias intergalácticas em permanente ebulição perante meras hipóteses de situações hipotéticas, e depois o que é que me acontece mesmo? 

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Toda escangalhada cá em baixo.

 

Este ponto é mesmo difícil de equilibrar minimamente (este e todos na vida, essa grande vadia). E é porque entre ser um unicórnio saltitante e esvoaçante sempre aos trambolhões com tremendas desilusões, ou ser um pessimista lamuriento e infeliz sentado na vida à espera que grandes desastres lhe caia em cima, caramba existirá de certeza qualquer coisa menos extremista. Eu é que ainda não encontrei.

E convenhamos. É preciso algum grau de expectativa porque se não para quê lutar, certo? 

 

Coisas.

Assim no geral, coisas. Tipo televisões, apps nos telemóveis, ou bibelots. Para começo de conversa, quanto menos tralha em casa menos pó para limpar. Além disso, e isto então nas crianças é tão visível como uma nódoa de azeite numa camisa de cetim, quanto menos coisas temos mais valor lhes damos. A quantidade cada vez mais exagerada de coisas que temos meeeeesmo de ter, só dispersa, só nos faz querer o mais que virá a seguir. Nada como curtir umas calças de ganga até saírem em pó da máquina da roupa. 

 

Sal.

Isto espero que toda a gente saiba. Sal a mais faz terrivelmente à saúde.

 

Amigos.

Não posso falar por toda a gente, evidentemente, mas sou capaz de jurar sem figas que se cada um de nós for pensar naquelas pessoas que realmente são nossas amigas, os dedos das mãos sobram. Isto não é um problema, atenção. Triste será estarmos rodeados de um milhão de pessoas e ainda assim estarmos sozinhos. Prezemos esses. 

 

 

Dinheiro.

E pronto acabei de arruinar toda a minha teoria, eu não vos digo que sou uma catástrofe nesta procura de sentido para a vida? 

O dinheiro é lixado, porque sabendo nós -  os pobres, claro está - que o dinheiro está na raíz de todos os grandes e graves problemas deste mundo, por outro lado, convenhamos, o dinheiro não traz felicidade, mas que ajuda, ai isso ajuda. Seria óptimo ter uma empregada a limpar os não bbibelots que tenho em casa. Agora a grande questão é que o dinheiro oferencedo uma espécie de placebo de liberdade -  podemos fazer e comprar mais coisas com mais dinheiro - acaba por nos tornar prisioneiros e dependentes dessas mesmas coisas. Ter menos dá-nos uma flexibilidade e liberdade que não tem preço. Deus me livre depender de um spa semanal, ou de uma viagem mensal, ou de um sushi a cada dia sim dia não, ou de...

Que é que foi, deixem-me.

 

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Dicas para sobreviver à vida

23.05.19, Ana sem saltos

Não sei se sabiam disto, mas pronto, ficam a saber, viver mata. Inclusive já fiz um hino com este mote,  não há porra nenhuma que não nos mate e sabem porquê? Porque os segundos passam e pronto, é isso. Caminhada para o fim, podem ir a fazer o pino, ir de ladex, de bruços, a rastejar ou aos pulos, mas viver não é mais do que....

esperar pela morte.

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Agora que já atirei a bomba, desculpem lá a brutalidade, a idade anda a derrubar-me filtros, o que tenho eu para vos passar? Esperança, meus bons leitores, esperança.

O caminho faz-se, nada temam. Não temos poder sobre quase nada - embora vivamos numa tentativa desesperada em alimentar a ilusão que sim - mas há pequenos truques que nos ajudam a ter algum domínio na forma como percorremos esse caminho.

 

1. Sorrir

Epá, riam-se mais. O poder do riso é magnifico, juro-vos. Eu posso ser suspeita, sou adita assumida do riso e venho de uma família de genes tresloucados que põe tudo às gargalhadas à saída de um funeral, mas ainda assim, estou quase absolutamente certa que existe pouca coisa com um poder tão redentor como um bom sorriso. E o mais bonito de tudo é que esse poder é benéfico não só para quem sorri, como também para quem recebe o sorriso.

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(traz aí a mini, sff)

 

2. Chorar

Bipolaridade, que querem, é o que temos. Não lido bem com assim assim's, não me encaixo em meias coisas, e, por isso, assim como é fundamental um bom sorriso, também o é uma valente cascata de lágrimas. Não é preciso andar aí sempre a chorar pelos cantos, tipo eu em TPM, mas se uma coisa dói, então, macacos me mordam, que se chore tudo, verta-se tudo, sofra-se tudo. Nada mais perigoso do que deixar as lágrimas apodrecerem cá dentro, ficam tóxicas para nós e para quem gosta de nós, veneno puro, vos garanto. 

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(eu. exausta de ser eu.)

 

3. Comer fruta

Estou a gozar.

 

4. Atentem aos detalhes

Estamos tantas vezes obcecados com coisas em grande - um grande ordenado, uma grande casa, uma grande carreira, umas grandes férias. Depois é ver-nos aí a correr desvairadamente sempre à caça do soberbo, quando, tantas vezes, o grande é a soma das pequenas coisas. E nesta corrida elas passam-nos ao lado. Seja um primeiro "Adoro-te Mãe" todo esgatafunhado pelo nosso filho numa folha de papel (COMASSIM UM RECÉM NASCIDO JÁ ESCREVE??), seja um fim de dia com os miúdos no parque sem uma única discussão (esta acho que nunca aconteceu), seja uma série debaixo de uma manta ao lado de quem amamos numa noite em que só apetecia chorar e afinal não, está tudo certo mesmo. Atentem as coisas que todos os dias damos como garantidas, são elas que fazem as enormes. Valorizem-nas e agradeçam-nas. E a quem vos proporciona essas alegrias também, não se esqueçam.

De nada.

 

4. Fazer exercício

Loles.

 

5. Arrisquem

Arrisquem em mudar de emprego se não vos faz felizes, em mudar de país se querem mesmo uma experiência lá fora, em mudar de detergente da loiça se não desengordura aquele pirex cheiodazeite como queriam. A sério. A vida são dois dias, não percam um e meio em coisas que não vos fazem felizes. Arrisquem, saltem fora, VIVAM. 

 

6. Leiam o Saltos sem altos.

Sou uma sábia à vossa disposição. 

 

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95 Anos

21.05.19, Ana sem saltos

Farão vossas excelências IDEIA do que é completar 95 anos de vida? Darão vocês graças suficientes ao privilégio ABSURDO que é estarmos aqui? Saberão vocês, minhas chamuças de leitão, que um mais um pode perfeitamente dar 3098?

Isto é muito simples. A minha vida tem uma espécie de lógica esquizofrénica. Se há muitas coisas que são fruto das minhas escolhas, outras são fruto de explosões imprevisíveis e completamente aleatórias. E é com base neste magnífico shake de ah espera sou dona do meu destino com wtf, COMO ASSIM , estou sem chão, que lá tenho vindo meia cambaleante por aí a fora.

De todas as minhas sortes, que graças a Deus são bastantes, há uma que é assim, como dizer, a matriarca delas todas. 

Apresento-vos a minha avó.

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(minhaminhaminhaminhaminhaminhaminha)

 

Hoje esta senhora monarca, valente, lutadora, forte, elegante, IMPECÁVEL, independentemente da queda, faz 95 anos. E são 95 anos cheios, mesmo muito cheios  porque mesmo quando a vida lhe resolveu pregar rasteiras, a minha avó sempre escolheu aceitar. Aceitar é uma forma de fé, é assumirmos que não podemos entender tudo. A minha avó é doutorada nesta matéria, posso garantir-vos.

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(Se conseguirmos aceitar a aceitação isto fica tudo muito aceitável. Enfim, perceberam a ideia.)

 

Caramba, às vezes há quedas doem, doem mesmo muito mas se há coisa que faz diferença na forma como encaramos a vida - as coisas boas, as menos boas e as terríveis - é a sinceridade com que sentimos a gratidão

E eu sou absurdamente grata pelo exemplo de força, coragem, e amor que esta grande senhora sempre foi na minha vida.

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(sempre senti um clima entre estes dois, SEMPRE! Mas uma senhora sabe sempre quando se retirar...)

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(...percebem ? Sou impecável a reduzir-me à minha pequenez - mas apenas perante tamanha imensidão, atenção.)

 

Amo-a minha avó. Com loucura. Parabéns por mais esta primavera, já vamos almoçar, miaguarde qui eu voulheusá!

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Não gosto

17.05.19, Ana sem saltos

De comer perceves ou caracóis e subitamente trincar areia (arrepio na medula).

Aspirar a casa antes de um dia de praia.

De me cansar.

De slime (que o senhor cabresto que inventou isto já tenha 16 filhos obcecados nesta gosma)

Que tudo me canse.

De vomitar.

De não poder chorar.

Quando tenho de disfarçar.

De cenoura cozida.

Das lágrimas de quem amo.

Que se estargue puré instantâneo, essa grande benção, com noz moscada.

De falhar.

De não saber cozinhar doces (o resto sou pró. #modéstia)

De pisar legos.

De youtubers. Menos a grande bumba <3

De ter medo.

De mentiras.

De mentir.

Do Bolsonaro.

Da minha perguiça.

Do joker madeirence.

Da sensação de impotência.

De ser acordada.

Que fumar faça mal à saude.

De vinho branco à temperatura ambiente.

Do poder do dinheiro.

De jolas mornas.

De não poder comandar o mundo para os meus filhos caberem lá.

De sentir que às vezes sou pequena para o que tenho me caber cá.

De ter razão.

De não ter razão.

De exercício físico.

Da minha marreca.

De não entender. 

De egos altos.

De egos baixos. 

De termos ego porra, será que os animais têm ego? Quero ser uma lontra.

De violência (física, e psicológica).

De jogos. Qualquer tipo de jogos, não me ponham a contar cartas.

De frio. 

De sairem 15 dunas de areia das meias dos meus filhos. Mesmo depois de lavadas.

De desmerecimento.

De unhas lascadas. Presas em camisolas de lã. Ou no cabelo, a pôr amaciador. (arghhhhhh)

De agulhas.

De ingratidão.

De pés.

Desta lista ser tão grande, valha-me Deus, tanto que tenho ainda para auto trabalhar. Se alguém me quiser pagar um retiro em Bali para purificação da alma e treino de técnicas de desapego, enviem mensagem que eu dou o IBAN.

 

Sair com filhos

13.05.19, Ana sem saltos

Vocês não vão acreditar na BOMBA que tenho para vos contar. 

É POSSÍVEL!!!!!

(sair com filhos, leia-se).

Dando uns passinhos atrás, sempre foi possível, atenção. Lá porque eu sou vagamente anhada, não quer dizer que não seja possível. Sempre saímos, mas não abusávamos, isto porque, além de dispendioso, valha-me Deus, A LOGÍSTICA era qualquer coisa de transcendente. Para além da logística, os meus adoráveis mini homens foram bebés, como dizer isto, irrequietos. Bastante irrequietos. Tremendamente irrequietos. Fonix, eram infernais. 

Estão a ver aquelas criancinhas adoráveis que ficam no ovo toda a santa tarde entre o adormece, brinca com a roca, e faz gugu dada?

Pois eu não, não faço puto de ideia do que seja tamanha santidade.

Grunhiam desesperados para estarem sempre em andamento, os carrinhos de bebés parecia que lhes davam choques elétricos, eram incapazes de lá ficar dentro mais do que 7,8 segundos, engoliam baratas, dormiam mal, e outros requintes que tal.

Mas comiam bem, atenção. Sempre foram autênticos buracos negros no que toca a comer.

Ainda assim, sempre disfrutamos, principalmente no verão, de férias fora com eles. E foi sempre maravilhoso, sair de casa, às vezes, é o suficiente para se respirar aquela lufada de ar fresco imprescindível para nos mantermos menos senis.

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(segurem-me antes que mande uma dentada no ecrã, PELAMORDEDEUSESTESPÉS)

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(esta é daquelas fotos que enganam nas redes sociais. Parece verdadeiramente viável ir à praia com bebés, só que para conseguir que ele adormecesse tivemos de o embalar cerca de 98 minutos, deitamo-lo com todo o cuidado deste mundo, e sete segundos depois ele acordou <3)

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Este ano começamos a aventurarmo-nos mais com saídas com eles. E olhem. Coração aos estoiros, literalmente, cada vez não só corre melhor, como sentimos genuinamente a alegria e o desfrutar deles. Apreciam todos os momentos, ajudam (mais do que normalmente fazem em casa), e o mais bonito de tudo: unem-se como irmãos, que é coisa que também não acontece assim imensas vezes em casa.

#pancadaria #permanente

O mais velho então, até me deu beicinho, estava inacreditavelmente feliz e agradecido, e eu fico de peito TÃO cheio quando lhes vejo agradecimento verdadeiro.

Rumamos um pouco a sul, e ficamos num sítio MARAVILHOSO, mais do que perfeito para quem tem filhos, mas também para quem não os tenha. O excesso de natureza/ sol/ good vibes, encheu-nos a alma até ao tutano, a sério, caramba, às vezes tenho estoiros monumentais de orgulho e nada me faz mais feliz do que ver os meus homens felizes.

Isto tudo para vos dizer o quê.

Que, efetivamente, e eu não acreditava mesmo quando me diziam ah e tal isso passa, na época em que me encontrava afogada em fraldas, sopas, bananas, noites com três horas de sono, malas de 17 toneladas só para ir ali beber um cafezinho, doenças, febres e outros sustos que tal. A verdade é que eles crescem, fonix, crescem mesmo depressa, e agora só vos digo que até carregava no pause para desfrutar disto mais meio milhão de séculos. Alinham em tudo, aguentam caminhadas, saltam para a piscina sem se afogarem, comem caracóis connosco ao almoço, adormecem sozinhos sem refilices para a mãe e o pai poderem conversar noite dentro, riem-se muito e estão felizes.

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(eles estão ali no canto superior direito da fotografia a apanhar carreirinhas com o pai enquanto a mãe estava focada em aniquilar todo o verdete acumulado deste rigoroso inverno)

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(mariscada em família)

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É bom.

Muito bom.

É mais do que tremendamente muito bom.

(Depois chegam a casa e volta tudo à normalidade, não se preocupem, já estão embrenhados em OHMÃE ELE OLHOU PARA MIM, NÃNÃ TU É QUE RESPIRASTE O MEU AR, e eu de avental a esfregar furiosamente chocapic colado no chão aos berros. <3)

 

 

 

É preciso falar disto (Maria Leal)

09.05.19, Ana sem saltos

Quando eu era bancária costumava divertir-me com uma amiga minha a ver as maravilhas da Maria Leal. Depois já não era só dela, era dos que gozavam com ela e que ainda tornavam as coisas mais apetecíveis à gargalhada. Houve inclusive um concurso lançado pela mesma para os seus fãs se candidatarem para participarem num vídeo dela, que, como saberão, é sempre um hino à classe.

Eu não me candidatei, que não sou assim muito dada às câmaras, mas evidentemente candidatei essa minha amiga.

Bom, isto era ela muito hirta a gemer num microfone num qualquer programa da manhã, antes de existir a Cristina e os programas da manhã serem um want to be até do próprio Presidente.

#interrompiareuniãoparalheligar

#marcelo4ever

Vai daí constou que a pequena se tinha lançado agora no mundo infantil. Agora, é como quem diz, como já não sou bancária e não tenho essa minha amiga a obrigar-me a ver aquelas maravilhas antidepressão nos elevadores, a verdade é que olhem, fiz scroll e não cheguei a ver. Até darmos com a presente data, ora portanto, estamos em maio de 2019, e eu dar de caras com aquilo.

Ora o Vídeo dá pelo nome "Tá demais"

Do verbo Tar.

Vamos fazer uma pequena pausa de um minutos.

Só mais uns.

Preparados minha boa gente?

Então vamos a isso detalhemos detalhes detalhados considerados importantes de analisar.

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Ora bem, o vídeo começa com uma casa que é um mix de anos 80, com barbie, com sabe Deus nosso Senhor o quê, e um miúdo amoroso que, depois de lhe aquecerem um leite (???) se senta a olhar para uma caixa. Reparem como ele expressa alguma incredulidade/vontade de rir/ pânico. Eis que a câmara foca aquilo que o miudo está a ver:

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É isto. Passemos à frente.

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A câmara faz zoom na barbieleal, e ela ganha vida. E pior. Desata a piscar o olho ao pobre miúdo.

Sou só eu que acho esta merda assustadora?

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Nops. Não sou.

A coisa anda, e passam para uma carripana com uns miúdos assustados lá dentro a dançar. Depois voltamos à casa. Maria Leal demonstra o seu lado doce e dá bolo à boca de uma criança. Podia ser só isto que para mim já é suficiente para me deixar tipo emoji espanto, mas não, claro que não.

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Surge uma outra criança atrás da Leal,

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Isto é de um nível que não há explicação. Aliás transcende isso, porra, são crianças, MAS QUE MERDA VEM A SER ESTA, está tudo doido???

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O miúdo do início reaparece, e continua sem acreditar que está ali. Durante todo o vídeo, berrando TATTATATATARARATARATARATA, a pequena leal tem uma elaborada coreografia focada nas mãos, hirtas e em modo robot,  com aquelas maravilhosas unhas de gel que resolveram entrar na moda. Tudo é, como dizer, olhem, não sei.

Entretanto sem se perceber bem como, surge um homem.

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Toda ela cheia de classe, vestida de boneca assasinó-porno, canta-lhe aquele poético TATATATARATARATARARATARATATAA.

Aqui temi seriamente que isto virasse um vídeo de pornografia de 5ª categoria e ele fosse um mecânico e ela uma batida virginal.

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Mas não, pela cara do gajo não. Notam-se ali sérias dificuldades em não rir. Ou chorar. Ou desatar a fugir dali para fora.

 

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O vídeo acaba pouco tempo depois, com a criança a tapar a boca de espanto.

Eu, confesso-vos, acho que nunca mais serei a mesma pessoa depois disto. Não dá para entender se a fasquia elevadíssima de manhoso é propositada, uma espécie de conan por descobrir - vou chocar-vos c'assim olham para mim - ou se ela e quem produz isto realmente acham que é, sei lá, bom? Pior é que é destinado a crianças, acho eu, não sei bem.

Quem tiver coragem veja o vídeo na integra.

Se não deixem estar. 

Foquem-se todos na maravilha que é ser normal.

Normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom, normalidade é bom.

 

 

Ter ou não ter mais filhos - eis a questão

08.05.19, Ana sem saltos

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(Recebemos esta fotografia por whatsapp de um amigo com a legenda: "Ficam-vos mesmo bem deste tamanho! Pensem nisso!". Com amigos assim quem é que precisa de inimigos?)

 

Como sabe quem me lê, sou uma jovem idosa mãe de dois filhos, atualmente com 8 e praticamente 5 anos mas que mais parecem 12, rapazolas dengosos que me enchem a alma de pânicos, fúrias e estrondos de amor.

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(Recém nascidos soberbos que já não se afogam <3)

 

Ser mãe é sem dúvida, e apesar de todas as queixas, que eu sou mulher queixosa, a função suprema deste meu pobre coração. Acrescente-se que tenho assim uma loucura por bebés. Não posso ver um que sinto logo espasmos no útero, desato a falar à bebé, adoro snifa-los, aquele cheirinho maravilhoso que desaparece não sei bem quando. Tenho um instinto maternal digamos que bastante fértil. 

#loucaporcrianças

#comadevidamoderação

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(Porque os filhos dos outros são, porque os filhos dos outros são, o arquétipo da perfeição)

 

Então, Ana sem saltos, porque não tens tu mais criançada a encher-te a casa e a alma?

A resposta assim, pow, é deveras simples. Porque já não me cabe mais nenhuma, nem em casa (amorosa e microscópica) NEM NO CORAÇÃO. (desculpem o grito).

Lembro-me em épocas remotas de namoro, eu e adónis que me esposou fazermos planos a ver o pôr de sol no mar de enchermos uma casa com 6 filhos. E estávamos plenamente convictos disto, ninguém nos demovia de desatar a multiplicar o nosso amor em crianças felizes e adoráveis com o nosso sobrenome. Isto, é claro, é daqueles planos que se fazem ANTES de se ter filhos, tipo aquelas teorias maravilhosas de todas as pessoas que são pais perfeitos precisamente porque não são pais. A experiência depois vai-nos carregando o ego da devida modéstia e moderação, porque, claro está, uma coisa é projetar, outra coisa é viver o que projetamos.

Além disso, apesar de todo este instinto que vos falei, padeço de um problema assim a dar para o grave. Chama-se ele ansiedade neurohistérica, principalmente na fase deles bebés. A foto a cima,

maravilhosa, confesso que me deixou ali uns milésimos de segundos a pensar, ai jesus e se, e se, e seeeeeeee....

tem toda aquela aura de paz, calma e beleza porque... o filho não é meu. O que significa que dormi na noite anterior 8 horas, acordei sossegada da vida para a faxinada da casa, tive tempo para o meu banho e os seus 389 cremes, fizemos um belo repasto com uma mesa bonita, e não tive de bater sopas de borrego. Caso contrário, e supondo que aquela coisa AMORSAPELAMORDEDEUSAMOBEBÉS era meu filho, eu estaria desgrenhada, pálida, com olheiras, e a panicar com a hora da sesta que já passou, e se passa tou lixada porque quer dizer que a noite vai ser má, e eu não aguento isto, ajudem-me por favor, amo-te tanto.

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(à beira de um colapso de amor)

 

É assim que sou, não há volta a dar.

Estamos numa fase muito boa agora, eles já têm um grau de independência apetecível, conseguimos começar (COMEÇAR) a conjugar paternidade com vida pessoal e namoro desenfreado, que sou mulher que ama namorar e, honestamente, foi uma fase muito difícil de alcançar. A nossa rede de apoio não é propriamente brutal, tudo nos sai do próprio coiro, desde a retrete lavada, à camisa estendida, ao banho dado, e à noite malpassada, maneiras QUEEEEE....

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Este útero fechou portas, e agora queremos gozar bem, muito bem, o que de maravilhoso já criamos.