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Saltos sem altos

Saltos sem altos

O desafio de educar (III)

06.08.19, Ana sem saltos

Lá venho eu em modo materno, mas todos os dias me surpreendo um bocadinho mais com esta coisa da maternidade, qualquer dia expludo de surpresa.

Os meus filhos têm uma diferença de três anos de idade. Isto fez com que nos primeiros tempos tivéssemos uma criança e um bebé, depois passaram a ser duas crianças, e se numa primeira fase - aquela em que o foco é garantir-lhes a sobrevivência e sorrisos - eram tratados de forma idêntica, subitamente acontece uma coisa. Eles começam a formar-se como pessoas, PESSOAS minha gente, e isso torna-os distintos um do outro. Ora isto é um desafio tremendo e é porque passamos a ter de ter cuidados distintos com cada um deles.

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#pessoasdistintas

#cuidadosdistintos

#distinção

Para mais aconteceu parecerem duas pessoas quase opostas, um é um poço de sensibilidade, o outro uma avalanche tsunâmica, um guarda tudo para si, o outro houvera de saber controlar um pouco melhor as coisas que lhe vão na alma, ENFIM. Se criar já é por si só uma aventura, estas arestas que vão surgindo aqui e ali, tornam a coisa quase esquizofrénica.

Junta-se depois a tudo isto um segredo que vos vou contar. Nós pais e atenção, preparem-se para isto... também somos pessoas.

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O drama. O horror.

O que significa que erramos, sofremos, criamos expectativas, e tudo isto fica uma mixórdia não só de temáticas mas também de emoções, quedas e alegrias. Valha-me Deus, é tão assustadoramente bom. 

O meu foco, mais do que nunca é garantir e passar-lhes integridade, INTEGRIDADE esse valor cada vez mais escasso e que é também ele um desafio permanente. Estamos sempre a aprender, a vida vai-nos pondo à prova, vamos errando também, mas desde que nos mantenhamos fieis a nós próprios e a quem escolhemos para estar ao nosso lado, tudo se recupera e reconstrói.

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(o meu mundo)

A idade do mais velho é a típica fase de descoberta do eu no mundo, e, como qualquer criança, o eu tende a sobrepor-se ao mundo. Mas é também uma idade em que a consciência começa a ganhar corpo, e em que eles começam a dar mais ouvidos não ás palavras mas aos gestos e atitudes. E isso, meus amigos, é o que nos torna a nós modelos, figura suprema numa fase que não tarda nada passa e somos substituídos pelos amigos. 

Isto dá uma cagufa do caraças, não posso negar. Mas também me tem tornado uma pessoa melhor, ou que, pelo menos, quer ser melhor. E querer, já diz o cliché, é PODER.

É ou não é uma ambição bonita?

Irei para o céu graças à maternidade, obrigada filhos. São Pedro, abre uma jola, MIAGUARDE!

 

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Coisas que me alegram

02.08.19, Ana sem saltos

Seria perfeito estarmos sempre alegres, mas convenhamos, a vida é um palco, que é, mas nem sempre queremos ser palhaços. E a alegria/ euforia, palhaçadas à parte, é um estado momentâneo, ao contrário da felicidade, que não é estado porra nenhuma, é MOTE.

Podemos perfeitamente estar tristes na felicidade e alegres na infelicidade.

(Pensem nisto)

Acho que estar vivo, para além de ser o contrário de estar morto, é isto mesmo: um amontoado de antagonias e bipolaridades. Conformemo-nos com o facto de nem tudo ser explicável.

Posto este momento de introspeção, hoje venho falar de algumas das coisas que me deixam alegre. 

1. As óbvias

* Cerveja, claro está, e isto como apreciadora máxima deste incrível licor dos deuses.

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(a vida é bela com uma sagres, estou certa ou estou errada?)

* Um batom. Ui filhos, sabem lá o poder de um batom quando uma pessoa se sente esfrangalhada. Passamos automaticamente de alforrecas a secar há meio século numa duna para divas prontas para receber o óscar. 

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(uma mulher põe um batom e faz erase mental à cozinha toda desfeita lá atrás)

* Sushi. Não consigo explicar o poder que um salmão cru tem na minha pessoa, mas que me eleva o estado de espírito, ai isso eleva.

* Promoções no detergente da roupa. Nada me alegra tanto, então se calha acontecer no detergente e no amaciador EM SIMULTÂNEO, UI, xitex total!

2. As lamechas

* Adonis chegar a casa. Irritem-se à vontade, mas aqui está o momento áureo do meu dia. Totalmente dominada pelas minhas crias, massa ao lume, pé descalço, casa de banho inundada depois do banho das feras, e ele chega feito príncipe encantado para me salvar das neuras, da ditadura dos meus filhos, e de mim mesma, evidentemente.

* Ver a minha avó todos os dias. É uma benção que juro, faz-me chorar se penso muito nela. Chorar de alegria, leia-se.

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* Os sons da madrugada antes de todos acordarem. Amo de paixão a overdose de passarada pela manhã.

* Os meus filhos a rir. De preferência um com o outro, mas aqueles dois tipos de ADN estão na maior parte das vezes à bulha e, consequentemente, à mocada no meu coração de mãe.

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(SOU O PRIMEIRO A ENTRAR, NÃNÃ EU É QUE SOU, AI É AI É, OH MÃÃÃÃÃÃEEE!!!)

3. As estranhas

* O cheiro de um livro velho. Sei lá eu explicar isto, parece que lá fica um bocadinho de todas as almas que o leram. Ou isso ou gosto mesmo é de snifar pó. Também pode ser isso.

* Estrear uma esfregona nova. Caluda, só não sabe o prazer de uma maravilha destas quem não precisa de as estrear.

* Quedas. Desculpem, mas nada me faz rir mais do que ver alguém cair. Tipo a minha mãe a acenar ao seu povo em plena praia, e de súbito desaparece-me sugada por uma força anormal da gravidade alcatrão a dentro. Saltei para a salvar, juro-vos, mas fui ÀS GARGALHADAS. 

* Isto. Ámen a isto.

 

(até porque isto sou eu em pleno AGOSTO MAS ONDE É QUE ESTÁ O VERÃO ALGUÉM ME EXPLICA???)