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Saltos sem altos

Saltos sem altos

Envelhecer

14.11.19, Ana sem saltos

Pronunciar este verbo é tipo Voldemort no filme do Harry Potter, não se pode dizer, é o "you know who" da existência moderna. 

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(eu envelheço, tu envelheces, ele envelhece, REPITAM COMIGO)

Não sei bem o que se passa, mas parece que - tirando eu - as pessoas não envelhecem! Valha-me nossa senhora dos glúteos empedernidos, e as boazonas a sambarem-nos na tromba do alto dos seus quase cinquenta anos nuns mega corpaços, em que não há rugas, nem cabelos brancos, nem fonix de erro nenhum?

demi moore.gif

(olá, fui só apanhar um garfo que caiu no chão e tenho 20 anos desde 1954)

 

Isto para mim é um fenómeno, em primeiro lugar porque, enfim, nasci já uma pessoa extremamente idosa, eternamente cansada e irremediavelmente enregelada. Dentro de mim mora uma senhora de 132 anos rabugenta, abraçada a uma botija e embrulhada numa manta polar.  Mas que habita lado a lado com uma vaidosona insuportável. Imaginem a guerra de titãs que se passa cá dentro. Sou pessoa ralada com a aparência, incapaz de sair nem que seja para ir ao lixo sem um blushzinho e um rímel para arrebitar a pestana. 

Quando eu era buedanova, tipo há 4 encarnações atrás, fazia-me uma confusão de todo o tamanho ver aquelas pessoas que não aceitavam o passar dos anos. Os botoxs, as plásticas, as mamas tipo bolas de futebol, enfim, a luta desenfreada e ingrata de lutar contra o tempo e tentar permanecer num corpo que faleceu há décadas atrás.

Eu era aquela que pensava:

- Mas tu estás tão bem para a tua idade!

zangado.gif

(então e um pinheirinho de natal devidamente enfeitado, por essa goela abaixo, para não dizer outro orifício acima, hum?)

 

Entretanto os últimos anos deram uma aceleradela neste corpitcho, e sinto que envelheci 45 anos de forma demasiado súbita. A senhora de 132 anos está a ganhar terreno a olhos vistos, e eu tenho dores, rugas novas, uma corcunda postural a acentuar e cabelos brancos fortérrimos.

Há vários fatores que acentuam este acontecimento, e creio que um dos mais fortes são os filhos. É que os primeiros tempos deles parecem milénios, a sova física monumental parece não acabar - quando é que ele dorme, quando é que ele se senta, quando é que ele anda, quando é que ele se veste sozinho? E nós ali a rastejar nos dias, egsaustos tutano acima.

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(banhos - check, jantar - check, vomitado na cama - check, noite interrompida de 3 em 3 MINUTOS - check)

 

E de repente eles dormem, sentam-se, andam, e vestem-se sozinhos. E passam automaticamente dos 2 anos para os praticamente 9, a dizerem coisas como "essa atividade não é desafiante" e a terem muito bom em testes de matemática que a sua mãezinha tem sérias dificuldades em responder. #orgulhoextremo

(e como é que eu, uma miúda sou mãe de um homem praticamente 9 anos????)

O tempo baixou umas 45 mudanças e acelerou desalmadamente. Estou a ver isto tudo a passar muito depressa, sinto-me o meu pai que no primeiro dia de verão já está a pressentir o Natal.

O que mais quero é saber aceitar esta coisa da velhice que vem com o passar do tempo. Juro que quero. Tipo a minha matriarca, vaidosona quase centenária, ou a sua prima de 101 anos (não estou a exagerar, tem mesmo um século de vida mais um ano), que me aparece no outro dia farmácia a dentro de vison, saltos altos, colar de pérolas e batom encarnado a pedir a vacina da gripe.

Estes genes da minha família também me fazem muita pressão, não posso negar.

 

 

Foco, fé, e foª§#-se - Trilogia do F

11.11.19, Ana sem saltos

*Disclaimer: este post contem palavras não apropriadas a menores de idade. Não obstante, o conteúdo é elixir da mais pura sabedoria.

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Tenho a certeza absoluta que todos nós já passamos por fases menos boas na vida. Não estou a dar novidade nenhuma, a tristeza, quer queiramos, quer não, é um elemento que tende a aparecer, e às vezes de forma totalmente inusitada, quando menos esperamos.

O primeiro grande erro que me tenho dado conta nesta longuíssima jornada de vida é não assumirmos a tristeza. Estar triste é quase um tabu nesta belíssima sociedade, toda ela colorida e fotografável. Temos de estar maravilhosos, felizes, hidratados, alimentados, bem-sucedidos, e informados. Quem está triste é um falhado e creio que todos tememos mais ainda o falhanço do que a própria tristeza.

A par e passo com este erro monumental, passamos a vida a terceirizar a nossa tristeza. A culpa é daquilo ou daquele, é do pai, da mãe, do trauma, do chefe mau, da ovelha bebé, daquele que me desiludiu. Olhem, bardamerdas, shit happens, é a vida. Não podemos evitar, faz parte de estarmos vivos, faz parte desta terrível responsabilidade que é existirmos. Só que na procura de culpados para a nossa dor, não estamos a investir verdadeiramente na cura que depende única e exclusivamente de nós mesmos. A nossa felicidade é da NOSSA responsabilidade. A forma como estamos na vida, como encaramos os problemas, como nos erguemos das quedas, depende maioritariamente (tipo 99.999%) de nós, porque mais que meio mundo se una para nos ajudar.

Qual de nós não se debateu já com a triste frustração de tentar ajudar quem não quer ser ajudado? Agora façamos o exercício inverso que, acreditem, é bem mais difícil que o original: quantos de nós já teve ajuda ali mesmo à frente da mona mas não quis ser ajudado?

Nestes inner caminhos que vou percorrendo, vou colecionando algumas certezas. São certezas - atenção - para mim mesma, e porque são minhas. Invento-as eu para sair de um aperto, agarro-me a elas com todas as minhas forças, mas tento - em esforço titânico - não me esquecer que certezas têm os estúpidos. 

Vamos então à trilogia do F:

1. Foco. 

Foquemo-nos, pessoas, foquemo-nos. Isto sou eu a aclamar para o imenso povo de eus que me observa do lado de lá do espelho.

Estamos sempre a correr, a saltitar de notícia em notícia, fotografia em fotografia, atividade em atividade. Estamos dispersos num milhão de coisas, incapazes de nos focarmos numa só. Se estamos sempre no para arranca, vira desvira, então [porra] não estamos a ir para lado nenhum. E se não estamos a ir para lado nenhum... espera lá, saberemos mesmo para onde queremos ir?

A dedicação, o empenho, o foco dão um trabalho dos diabos, e pior que tudo, comprometem-nos numa direção. Este compromisso, dá um calafrio de todo o tamanho, e voltamos ao que já referi. Temos medo de falhar. Pânico de falhar. Só que sonhos sem objetivos são só sonhos, e de que nos servem milhares de possibilidades por concretizar?

Aqui entra a...

2. Fé.

Fé em Jesus, em Alá, no Destino, nas Energias, nas capacidades do eu, quesalixe em quê, mas pelamordasanta, tenham fé. Acreditem, entreguem, confiem, tenham esperança. Todos falhamos, todos erramos, todos caímos. E então? Qual de nós aprendeu a andar sem umas valentes marretadas nas esquinas da mesa?

O grande pilar de fé na minha vida é a minha avó. Faço-lhe Ámen diariamente porque para além de a amar de paixão, admiro-a do fundo do meu coração. A vida deu-lhe muita coisa boa, mas também muita coisa má.

E para além de maravilhosamente de pé no alto dos seus 95 anos, continua, mesmo que não queira, a ser um enorme exemplo.

O exemplo.

Vai que, ainda assim, depois do foco, do empenho, da entrega, da esperança despejada às toneladas, a vida vem e nos lixa.

Então olhem:

3.Foda-se.

Digam foda-se, assim, FODA-SE, despejem a raiva, chorem, gritem. Não faz mal nenhum estarmos tristes, podemos estar tristes, faz parte, de vez em quando, estarmos tristes. Depois temos é de nos levantar, sacudir a terra das calças e a dor da alma, e fazer tudo outra vez.

 

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04.11.19, Ana sem saltos

Estava aqui mergulhada em memórias, descobri que faz hoje 9 anos que assinamos a escritura da nossa casa, eu pançuda do primeiro rebento, toda cheia de esperança, expectativa e carnes,  ainda sem saber do turbilhão que estava prestes a rebentar e a fazer-me crescer mais um bocadinho.

Com isto mergulhei também nas fotografias deste fim de semana, benzadeus, sou uma sortuda de todo o tamanho. É tão engraçado ver os meus bebés virarem rapazolas, observar o companheirismo deles com o pai, é bom que me agradeçam, fui a melhor a escolher-lhes o progenitor. Mas não posso negar que às vezes me sinto meia sozinha no meio de tanta testosterona, mortais em trampolins, terra nos sofás, e ranho nas mangas da camisola.

Logo eu.

Cúmulo da Cinderela.

Andamos em passeios na serra, cagamos de alto na chuva e agora tenho 15 pares de sapatos ensopados que não há meio de ver secos. O mais velho alinha com o pai em tudo, está numa fase de descoberta de si mesmo e explorar tornou-se o verbo mãe naquela criatura.

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(vamos ver umas babes pai?)

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(Eu JURO que não móio as meias 'tá bem?)

 

Já o meu recém nascido soberbo, loles, enfim, está menos dado ao movimento - para não o chamar de coiro integral assim à vista de todos.

_ Vamos passear?

_ Vamos de carro?

_ Ah.... não. Passear, filho (mexer a peida, sabes o que é?)

_ Não. Odeio estar canxado.

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O que tem piada porque é um dos meus motes. 

 

Está também a ganhar uma astúcia mental assustadora, no meio daqueles s's babões:

_ OH MANUEL OLHA QUE CAIS DE DEPOIS CHORAS!

_ Nãnã. Xe eu caio morro, e xe eu morro TU xoras.

Ás vezes não sei o que fazer a isto da maternidade, juro-vos.

Entretanto esta pausa prolongada é daqueles loops lixados da vida. Quanto menos se escreve (faz) menos vontade tem de se escrever (fazer), e eu estou novamente naquelas fases maravilhosas de bulets, isto vai-me dando de tempos a tempos, dos 1234 que faço, cumpro com cerca de meio, mas pouca importa, não é verdade?

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