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Saltos sem altos

Saltos sem altos

Quarentena - #dia cento e vinte e quatro mil duzentos e oitenta e seis

23.03.20, Ana sem saltos

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(atualizando stock de vitamina D)

 

Não é esse o dia, mas parece, e eu até tenho a sorte de viver no campo o que torna a quarentena bem mais suportável. Isto para vos dizer que estou viva e de saúde, capaz de jurar que não toco em atum até junho 2045; os meus filhos, surpreendentemente, até estão a gostar disto, o que significa que qualquer coisa estamos a fazer bem.

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(tá tranquilo, tá favorável)

 

As coisas não são perfeitas como tantas vezes queremos fazer parecer, mas temos adotado algumas estratégias para manter os níveis de sanidade acima do zero, nomeadamente:

- Acordamos todos cedo (mesmo que não quiséssemos temos filhos madrugadores) maneiras que às 9 todos estamos todos lavados (eu até mantenho o rímel e o secador, que uma mulher vaidozona é uma mulher vaidozona, e não há nada como limpar retretes maquilhada), vestidos e prontos para começar a trabalhar.

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(tampo da retrete: check, passemos delicadamente ao bidé)

- A escola do recém-nascido mais velho está de parabéns. A turma reúne-se toda as 9 em ponto com a professora via zoom, têm aulas, partilham trabalhos e fazem atividades em pares. Estou verdadeiramente fascinada com isto das tecnologias e com a capacidade de adaptação de todos eles (até põem o dedo no ar para falar!!!!). Se nos primeiros dias parecíamos loucos a tentar atinar na hora da chamada, abrir email, e saber o que ele tinha de fazer, agora é ele que faz tudo de forma autónoma. Quando isto tudo acabar atiro-o para dentro do Toysrus e só o deixo sair de lá com 14 carrinhos cheios.

#revengeconsuption

- O recém-nascido mais novo, agora sem o seu primeiro dente de leite - ainda me estou a recompor desta calamidade que é eles crescerem desenfreadamente e sem autorização - já cavou um buncaro capaz de nos abrigar a todos dentro em breve. Se puser os óculos consigo ver os nativos da Nova Zelândia lá ao fundo a acenar.

- Almoçamos todos juntos, e quando dá temos o privilégio de o fazer na rua. Sabe bem este tempo de família.

Mas também berramos, discutimos, impomos regras para as ignorar logo a seguir.

_ ESTÁSPROÍBIDODEJOGARATÉAOFIMDAQUARENTENA, PRONTO ESTÁ BEM JOGA LÁ SÓ MAIS UM (que afinal são 24), isto tudo sem respirar, no mesmo segundo, na mesma frase, no mesmo grito.

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('TÁS A PERCEBER OU NÃO?!?)

 

Esta incerteza que se mantem no ar, taco a taco com a porra do vírus, traz alguma ansiedade. Vamos teletrabalhando, num esforço por manter a produtividade, ser criativo e reinventar o negócio, entre os milhões de lanches deles, discussões e SAIDAFRENTEDOECRÃIMEDIATAMENTE.

Faz-se o que se pode.

Continuo a regar-me de esperança, entre um grito, um email, e uma mini - que uma mulher não é de ferro - mas estou orgulhosa do meu cesto de roupa que finalmente mostrou o seu fundo, das gavetas a brilhar com talheres arrumados por ordem alfabética (seja lá o que for isto que acabei de dizer), e do chão que parece um espelho.

Também estou chateada com a anormalidade do timing que escolhi para me estrear no verniz de gel - uma semana antes de nos fecharmos todos - e tenho muitas saudades das minhas mãos despidas desta cena que já vai a meio da unha e toda a estalar. 

#ripmãosbonitas

E vocês? Como vai tudo?

 

 

 

Positivismo em tempos de crise

17.03.20, Ana sem saltos

Acordemos o blogue, que de quarentena já basto eu.

Falemos do inefalado, tema único e exclusivo, jamais debatidos por estas redes fora, prova magnificente de uma autonomia de espírito BRUTAL: corona vírus.

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(saudades tuas, portador de voz magnífica <3)

 

Estamos todos (ou quase todos) fechados em casa a fritar a pipoca com os contadores das notícias, os miúdos em modo #fucktherules #whosthebossnow, os empregos em risco, o medo, esse grande senhor da vida (que também os há) a invadir-nos os poros todos.

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Vamos tentando manter a paz de espírito, pensar positivo, vocês vejam bem que agora até faço exercício de manhã, tipo meia flexão e 2 abdominais, fico toda moribunda vocês haviam de ver. Pouco importa.

O mundo mudou, não vale a pena fingir que não.

E perante a mudança que podemos nós fazer?

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(estefilmenãoémeu estefilmenãoémeu estefilmenãoémeu estefilmenãoémeu estefilmenãoémeu )

Nada. Ou melhor. Tudo.

Eu adotei  uma estratégia para não me atirar de cabeça janela abaixo, até porque ganhava, no máximo, 5 paus de caruma espetados nas ventas: desisti das más noticias, dos voices alarmistas, das partilhas duvidosas. Agora quero é paz e amor, para susto já basta estar aqui trancada com os meus ricos meninos, monstrinhos imparáveis e adoráveis de sua mãe. E estou a praticar aqui um exercício fabuloso (a acrescentar à flexão e meia que faço de manhã), e é ele...

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(dary!)

ESPERAR.

Não podemos fazer grande coisa a não ser estartrancadoemcasadeusnosajude, maneiras que, malta, bora partilhar cenas boas? Vamos fazer uma lista de coisas que este cabresto deste vírus nos trouxe de positivo.

Começo eu:

Descobri que sou fenomenal a limpar torneiras. Juro. Brilham que nem a coroa da Rainha de Inglaterra em vesperas de Natal.

A minha avó fica (ainda mais) bonita em videochamada.

É possível ter saudades de coisas tão estranhas como, sei lá, sogros? SAUDADES VOSSAS PAIS DO HOMEM DA MINHA VIDA!

Descobri que sou portadora de uma cena que não fazia puto de ideia que tinha (e não é corona, acho eu.): ESPERANÇA. Tenho tanta valha-me Deus, que acredito que depois disto o mundo se vai reinventar numa coisa mais bonita. 

E vocês?

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(apresento-vos o Bujix: mas estes gajos agora não saem de casa???)