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Saltos sem altos

Saltos sem altos

Foco, fé, e foª§#-se - Trilogia do F

11.11.19, Ana sem saltos

*Disclaimer: este post contem palavras não apropriadas a menores de idade. Não obstante, o conteúdo é elixir da mais pura sabedoria.

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Tenho a certeza absoluta que todos nós já passamos por fases menos boas na vida. Não estou a dar novidade nenhuma, a tristeza, quer queiramos, quer não, é um elemento que tende a aparecer, e às vezes de forma totalmente inusitada, quando menos esperamos.

O primeiro grande erro que me tenho dado conta nesta longuíssima jornada de vida é não assumirmos a tristeza. Estar triste é quase um tabu nesta belíssima sociedade, toda ela colorida e fotografável. Temos de estar maravilhosos, felizes, hidratados, alimentados, bem-sucedidos, e informados. Quem está triste é um falhado e creio que todos tememos mais ainda o falhanço do que a própria tristeza.

A par e passo com este erro monumental, passamos a vida a terceirizar a nossa tristeza. A culpa é daquilo ou daquele, é do pai, da mãe, do trauma, do chefe mau, da ovelha bebé, daquele que me desiludiu. Olhem, bardamerdas, shit happens, é a vida. Não podemos evitar, faz parte de estarmos vivos, faz parte desta terrível responsabilidade que é existirmos. Só que na procura de culpados para a nossa dor, não estamos a investir verdadeiramente na cura que depende única e exclusivamente de nós mesmos. A nossa felicidade é da NOSSA responsabilidade. A forma como estamos na vida, como encaramos os problemas, como nos erguemos das quedas, depende maioritariamente (tipo 99.999%) de nós, porque mais que meio mundo se una para nos ajudar.

Qual de nós não se debateu já com a triste frustração de tentar ajudar quem não quer ser ajudado? Agora façamos o exercício inverso que, acreditem, é bem mais difícil que o original: quantos de nós já teve ajuda ali mesmo à frente da mona mas não quis ser ajudado?

Nestes inner caminhos que vou percorrendo, vou colecionando algumas certezas. São certezas - atenção - para mim mesma, e porque são minhas. Invento-as eu para sair de um aperto, agarro-me a elas com todas as minhas forças, mas tento - em esforço titânico - não me esquecer que certezas têm os estúpidos. 

Vamos então à trilogia do F:

1. Foco. 

Foquemo-nos, pessoas, foquemo-nos. Isto sou eu a aclamar para o imenso povo de eus que me observa do lado de lá do espelho.

Estamos sempre a correr, a saltitar de notícia em notícia, fotografia em fotografia, atividade em atividade. Estamos dispersos num milhão de coisas, incapazes de nos focarmos numa só. Se estamos sempre no para arranca, vira desvira, então [porra] não estamos a ir para lado nenhum. E se não estamos a ir para lado nenhum... espera lá, saberemos mesmo para onde queremos ir?

A dedicação, o empenho, o foco dão um trabalho dos diabos, e pior que tudo, comprometem-nos numa direção. Este compromisso, dá um calafrio de todo o tamanho, e voltamos ao que já referi. Temos medo de falhar. Pânico de falhar. Só que sonhos sem objetivos são só sonhos, e de que nos servem milhares de possibilidades por concretizar?

Aqui entra a...

2. Fé.

Fé em Jesus, em Alá, no Destino, nas Energias, nas capacidades do eu, quesalixe em quê, mas pelamordasanta, tenham fé. Acreditem, entreguem, confiem, tenham esperança. Todos falhamos, todos erramos, todos caímos. E então? Qual de nós aprendeu a andar sem umas valentes marretadas nas esquinas da mesa?

O grande pilar de fé na minha vida é a minha avó. Faço-lhe Ámen diariamente porque para além de a amar de paixão, admiro-a do fundo do meu coração. A vida deu-lhe muita coisa boa, mas também muita coisa má.

E para além de maravilhosamente de pé no alto dos seus 95 anos, continua, mesmo que não queira, a ser um enorme exemplo.

O exemplo.

Vai que, ainda assim, depois do foco, do empenho, da entrega, da esperança despejada às toneladas, a vida vem e nos lixa.

Então olhem:

3.Foda-se.

Digam foda-se, assim, FODA-SE, despejem a raiva, chorem, gritem. Não faz mal nenhum estarmos tristes, podemos estar tristes, faz parte, de vez em quando, estarmos tristes. Depois temos é de nos levantar, sacudir a terra das calças e a dor da alma, e fazer tudo outra vez.

 

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