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Saltos sem altos

Saltos sem altos

Momo - novo terror na internet

12.03.19, Ana sem saltos

Adenda: As imagens são assustadoras, mas infelizmente o que existe por aí é assustador.

Na altura do Halloween (alguém um dia ainda me vai explicar o porquê da vinda desta tradição americana para o nosso portagalinho do pão por deus), a rebaldaria lá em casa de vampiros, monstros, zombies e bruxas foi qualquer coisa. Os miúdos entram num frenesim meio marado e só falam em sangue e facas e fantasmas e horrores. Fica difícil de controlar, o mood está instalado por esse mundo fora: nos anúncios, nas lojas, nos desenhos animados, nas escolas.

E uma pessoa vai e rende-se.

Ora foi nesta altura que o meu recém nascido mais velho me apareceu lá em casa a falar da Momo. Vinha no carro a emprenhar os ouvidos do irmão, Momo para aqui, Momo para ali, e eu, longíssimo de saber o que é isso da Momo, e mergulhada naquele modo piloto automático de fim de dia, não liguei peva.

Chegam a casa, correria do costume, e vai que o miúdo liga a televisão e pesquisa Momo no youtube (regra lá de casa - youtube só na televisão para a mãe e o pai saberem sempre as trampas que eles vêm).

Ora aparece-me isto:

momo.png

Graças a Deus eu estava na sala nesse momento e não houve tempo para carregar em nenhum vídeo. Desliguei automaticamente a televisão aos guinchos com eles.

O mais novo, claro está, para aprender a segurar numa faca ou para tirar uma meia sem mandar 4 cambalhotas para trás, são precisos quatro psicólogos, um terapeuta e três lambadas nas nalgas, mas para a merda, ah meninos, isso aprendem e decoram eles num ápice. Ficou obcecado com a boneca, só fala na boneca, e ainda hoje continua neste mood apesar da proibição de se falar nisso lá em casa.

- Como é que xe lê m-o-m-o.

_MANÉL!

E tem a criatura 4 anos benzadeus...

Na altura eu ainda achei que isto era só mais uma anormalidade do Halloween, e esta necessidade de se fazerem coisas horrorosas, que eu, #cinderelaforever, não consigo entender. 

Mas as conversas continuaram compulsivas, e às tantas o mais velho já dizia que era possível falar com a Momo, que ela ligava para as pessoas, que entrava nos jogos. Foi então que o google nos explicou o que era isto.

A Momo, originalmente uma boneca japonesa criada com base naquelas lendas que antigamente se contavam às crianças para adormecer, viu a sua imagem roubada por gente que ainda se vai descobrir o porquê de ter nascido, e foi utilizada num desafio do género da Baleia Azul. Lembram-se do que é isto? É um jogo que isola as crianças/ adolescentes numa realidade paralela e assustadora, e os leva, passo a passo ao suicídio.

A Momo entra nos jogos online estilo minecraft e para os que têm telémovel, contacta via Wahtsup com esta bonita imagem de perfil. Depois, incentiva os miúdos a magoarem-se, envia-lhe vídeos e imagens violentas, e pede provas da concretização dos seus desafios, ameaçando as crianças e as suas famílias.

Pelo que tenho lido por aí, ainda não há consequências efetivas deste jogo como houve no da Baleia Axul, mas, ainda assim, fomos falar à escola e alertar a professora, assustados principalmente pelo facto do meu filho saber que era possível comunicar com a boneca. 

O altera foi dado, e as ações necessárias foram tomadas.

Entretanto a boneca dispara novamente nas notícias aparecendo, aparentemente, a meio de um vídeo da Porquinha Pepa incitando as crianças a automutilarem-se. O castigo, caso não o façam ou contem aos pais, é a morte.

Ao que parece, o criador da boneca já a destruiu, depois de ter conhecimento da forma como a imagem da mesma estava a ser utilizada, numa tentativa de tentar sossegar as crianças que entretanto já vivem em pânico com isto.

Ora bem, não há palavras elásticas o suficiente para exprimir o horror desta porcaria. Como nos podemos defender disto? Nós pais, o que podemos fazer?

O meus filhos não têm telémovel nem jogam nenhum jogo online, vêm youtube na televisão e com supervisão, e ainda assim esta merda entrou-nos pela casa a dentro... Sem consequências, mas entrou.

Tivemos de conversar com os dois, e explicar-lhes que por de trás de uma boneca que nada mais é do que uma boneca, estão pessoas muito más, e das quais temos de nos saber defender. E que isto é apenas uma vertente dos perigos que se escondem na internet, esse mundo virtual que esconde caras e identidades.

De resto... temos de estar em alerta permanente. A nossa realidade é esta, não temos como fugir dela. Mas, juro, odeio-a, odeio mesmo.

 

 

 

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