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Saltos sem altos

Saltos sem altos

O desafio de educar (II)

16.04.19, Ana sem saltos

Prova dos diabos, 'migos, é o que vos digo. Não me canso de dizer que esta coisa de lançar no planeta terra seres bestiais, tem o seu se quê de quase diabólico. E isto porquê?
Primeiro, porque o mundo não é suficientemente perfeito para eles. Aliás, na verdade, o mundo é uma valente m##*@, a partir do momento que eles nascem ganhamos uma noção assustadora do assustador que é o mundo. Devia ser todo almofadado, feito de núvens de algodão doce e Gandis em cada esquina a proclamar saberdoria, paz e amor.

Este amor desmedido tem um problema gravíssimo. O discernimento mental, puft, desaparece, ficamos seres cegos e alheios da realidade.

A propósito, vi uma entrevista com o (ENORME) Ricardo Araújo Pereira, e ele às tantas diz que o segredo do sucesso (no caso da entrevista falava-se no humor, mas creio que se aplica em tudo), é termos consciência que somos ridículos.

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Isto é sabedoria pura.

 

É este o primeiro passo para uma caminhada honesta pela vida fora.

Ora na mater/paternidade, tendemos a, como dizer isto... exacerbar qualidades e menosprezar defeitos.


- Opá, viste o meu menino? Coisa mailinda, olha como ele com 10 anos acerta tão bem com o garfo na boca... Sou mesmo uma mãe fantástica.

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#coraçãoaosestoiros.


_ É perfeitamente normal que ele com 8 anos, não compreenda que não pode simplesmente ter tudo que existe no supermercado, estes pontapés não só são aceitáveis, como, aliás, são saudáveis e necessários. É apenas ele a desbravar-se, a autoconhecer-se. Que orgulho, o meu menino a trabalhar o seu inner side.

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<3 Somos perfeitos atrasados mentais quando se trata de falarmos/pensarmos nos nossos filhos, é bom que tenhamos consciência disso.

 

Ou a melhor das melhores:

- Filho meu JAMAIS dormirá na minha cama, a não ser, claro, que seja meu filho.


Nessa mesma entrevista, falou-se a determinada altura de uma parábola em que uma mocha sai de casa à noite e pede ao leão faminto que não lhe devore as crias - lindas de morrer e sozinhas no ninho - enquanto ela vai caçar ratos. O leão diz-lhe que sim senhora, vá em paz sodona coruja, mas quando ela volta está tudo feito num frangalho.
_ Tão, pá? Pedi-te para não comeres as minhas crias!
E o leão a cuspir penas responde,
_ Tu falaste em crias lindas de morrer, por isso só comi dois franguitos depenados horrorosos.


Ora eu não quero que as minhas crias sejam devoradas por leões, ainda que saiba perfeitamente que são lindos de morrer, crianças mais prezadas e magnificas alguma vez produzidas na história da humanidade.

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iu no uat ai min?


Pronto, isto para dizer o quê?


Na minha extensa caminhada de séculos na maternidade, posso afirmar-vos que a parte mais complicada de gerir é a linha que separa a empatia do mimo excessivo, a agressividade da disciplina, enfim, é termos capacidade de lhes dar uma visão realista de si mesmos. Sem elogiar de mais - levando-os a considerarem-se Ronaldos apenas porque acertam com o pé na bola, depois sofrem evidentes desilusões quando são observados por outros que não os (estúpidos) dos pais - sem criticar em demasia - levando-os a criarem complexos e a desenvolverem uma autoestima cheia de buracos e lacunas (temo a falta de confiança como vampiro teme o alho).


Engraçado, enquanto escrevo isto, e eu sou mulher para ter a cabeça num permanente vendaval, tudo desorganizado tipo gaveta das faturas - sinto subitamente um aperto no peito daqueles a sério, valha-me Deus estarei eu a fazer bem?


Aliás, digam-me, ajudem-me, TENHAM A BONDADE DE ME AUXILIAR, É HUMANAMENTE POSSÍVEL fazer isto bem????????

 

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