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Saltos sem altos

Saltos sem altos

O meu filho tem medo

26.06.19, Ana sem saltos

Falemos de medos, caríssimos.

Em primeiro lugar, aqui a sábia filósofa vai debitar sabedoria, estão prontos?

Não é a ausência de medo que faz o corajoso.

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(E esta, heim?)

 

Falando a sério. Há um certo preconceito em redor do medo, quem tem medo é mariquinhas, temos de ser bravos e nada temer. Ora isto é um valentíssimo erro e é porque, na verdade, quem não tem medo significa que nada tem a perder, maneiras que pouca coragem existirá nas suas ações. Coragem vem de quem assume os seus medos, e os enfrenta.

Tipo eu, cumulo da corajosa.

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Saibam que se havia coisa que me deixava aos tremeliques de pânico,

para além das baratas, das alturas, de escaladas, de andar sozinha à noite, que os meus filhos se magoem, do que poderei encontrar quando tiro as almofadas do sofá para aspirar, de insónias, de andar de avião, de achar que vou comer um folhadinho de salsicha e deparar-me com tâmaras, de deixar de fumar, enfim, de existir,

Era GUIAR.

Isto era coisa para me deixar sem dormir, saber que teria de conduzir para além dos 8 kms aqui em redor de minha casa. É um medo que tenho vindo a combater, e, podem gozar à vontade que o meu ego aguenta, hoje sinto-me orgulhosa de mim. Já vou para onde me mandam, ignorando os suores frios perante rotundas desconhecidas e cheias de trafego.

E toda esta introdução para vos falar do meu filho que está numa fase de medos. O pior é que os medos que ele tem advêm de uma coisa magnífica e tão difícil de controlar chamada internet.

Posso depois fazer um outro post sobre isso, todos sabemos que a internet tem de ser controlada nas crianças. E, acreditem, nós temos um controlo bastante apertado, tentando, ainda assim, não o isolar do mundo. Por exemplo, o youtube é apenas visto na televisão (é uma das vantagens de ter uma casinha de bonecas, posso estar em qualquer divisão que ouço sempre o que eles estão a ver) e apenas o que deixamos ver. Foi uma decisão que tomamos depois de uma fase em que de repente tinha youtuberes brasileiros AOS BERROS na minha sala OLHA SÓ CARA, NOSSA CARÁCA. 

Mesmo assim, há um fator que nos esquecemos assim de tempos a tempos, principalmente eu.

Eles deixam mesmo de ser recém-nascidos e começam a ser espertíssimos.

Então, depois de uma ligeira falha dos pais num telemóvel velho que apenas serve para dois ou três jogos, o menino de sua mãe instalou o youtube e foi ver porcarias que ouviu falar na escola, nomeadamente uma porra de uma nenuca toda pintalgada chamada anabelle. Ele é um miúdo que tem uma curiosidade mórbida para ver o que o assusta, não entendo isto. Não entendo porque sou o oposto, só gosto de ver borboletas e arco irís e coisas bonitas.

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(beicinho)

 

O resultado é um estado de pânico sempre que as luzes se apagam.

Temos tentado gerir estes medos dele, primeiro com uma fúria quando percebi de onde vinham os medos, mas depois de ver que a fúria não estava de facto a ajudar, pus-me, e vejam bem isto, a conversar com ele.

A nossa cabeça devolve-nos aquilo que nós lhe damos. Se vês porcarias é porcarias que ela te dá, se vês coisas bonitas, então serão coisas bonitas a receber de volta. Repara como depois de um dia maravilhoso, com mergulhos no mar, passeios, amigos e brincadeira, aquilo que não consegues deixar de pensar é nessa boneca que nem se quer existe.

E ele, devagarinho, foi tentando absorver o que eu lhe dizia. Pediu-nos que apagássemos de novo o youtube do telemóvel velho, deu-me a mão, e pensou em futebol.

Gerir os medos deles é muito difícil. Aliás gerir filhos é uma cena que vou-vos dizer, devíamos receber 3 toneladas de medalhas de honra.

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(BOM, pela presente tarefa fenomenalmente desempenhada, eu, que posso, condecoro-te MÃE. Vai uma selfie?)

 

Mas esta tarefa em específico envolve paciência, tolerância, saber ouvi-los, não menospreza-los, enfim, todo um doutoramento em psiquiatria.

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(bichinho da mãe, se sofres mato-te)

 

E vocês, como gerem os medos dos vossos filhos?

 

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