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Saltos sem altos

Saltos sem altos

Os assassinos da leitura

23.04.19, Ana sem saltos

Ora então celebra-se a 23 do presente mês do calendário o Dia Mundial do Livro. Extremamente importante este dia, especialmente para mim.

Estava eu a pensar nisto quando me dou conta, assim de forma estupendamente racional, que já li muito, mas MUITO mais do que leio hoje em dia. Caramba, então afinal o que se passa com uma aspirante a escritora que subitamente deixa de ler?

Sempre adorei ler. Talvez seja um ciclo vicioso de quem gosta de escrever, mas a verdade é que um bom livro é daquelas coisas que me deixa verdadeiramente feliz. Aquela sensação de estar sempre a pensar no livro, desesperada que surja um tempinho para poder voltar a mergulhar lá para dentro, sabem do que falo? 

E se dantes devorava livros como quem devora cajus, a verdade é que hoje em dia estou bastante aquém do que gostaria. Achei, por isso, que era bom expor abertamente os assassinos da leitura. Sem medos.

  1. Filhos

lol. Bom quem me lê às tantas deve achar que eu não gosto de ser mãe, culpo a maternidade de tudo aquilo que não consigo fazer. Não é bem assim, atenção, tenho uma tendência genética para o exagero, deem sempre um ligeiríssimo desconto às coisas que digo. Mas a verdade é que este projeto de vida advindo de uma longa história de amor, ocupa não só tempo mas também,

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wait for it

 

disponibilidade mental. Ora por disponibilidade mental leia-se aquele suspiro curioso da massa cinzenta que - teoricamente - nos ocupa o crânio. Sem tempo e sem massa cinzenta ativa devido ao cansaço da permanente atividade física/emocional/ psicológica - assim mesmo, tudo ao molho e fé em Deus - quando finalmente despejamos a real bunda no sofá a única disponibilidade que sobra é pura e simplesmente para babar. Literalmente, babar. Tipo, não me façam SEQUER mover um olho, pelamordedeus deixem-me aqui morta só um bocadinho.

Uma pessoa não se quer esforçar minimamente, e para que a leitura seja feita de forma prazerosa temos de ter TODOS os sentidos alerta, despertos e curiosos para vivermos e imaginarmos tudo aquilo que as palavras nos contam.

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(beicinho, que bonito pá)

 

Parecendo que não, dá trabalho, e uma pessoa cansada não se quer ter trabalho. Isto leva ao quê? Ao segundo assassino da leitura. Segundo na lista, mas, e sendo totalmente honesta, primeiro em termos de força.

  1. Ecrãs

Esses filhos da mãe. Como estamos cansados bora ser só e apenas espetador! Carregamos no botão e agora atirem-me informação para cima, pode ser que entretanto adormeça.

Antigamente tínhamos somente a televisão assim como televisão, lembram-se dela? Esperávamos pela hora da série, e lá mamávamos aquilo com 189 minutos de intervalos pelo meio. Já ninguém faz isto. Agora há uma verdadeira eficácia no ato de meter trampa para dentro da mona: já não perdemos tempo a ver o que não queremos. Passamos anúncios para a frente e gravamos apenas o que nos interessa. Só que esta eficácia pode ser perigosa porque acaba por fazer com que acabemos por ingerir muito mais séries/filmes/whatever do que faríamos de tivéssemos de levar com as secas de antigamente.

O verbo esperar já não se conjuga hoje em dia, e não estou certa que isso seja muito bom.

Este específico assassino da leitura não se aplica à minha pessoa que passei de adolescente devoradora de novelas e séries para um verdadeiro jejum televisivo que já conta com quase 10 anos. (Não conta o Panda, ok?)

No meu caso aplica-se o ecrã mais pequenino. Mais concretamente as redes sociais que estão enfiadas dentro do ecrã pequenino. Valha-me Nossa Senhora da Literatura, a quantidade de tempo que perco só a passar o dedinho para ver… nada! Fico com vontade de me levantar e desatar ao estalo a mim mesma. Não sei porque faço isto, juro, mas a verdade é que faço, e muito mais do que queria.

Maneiras que quando não estamos no mood casal que deitou os filhos e agora quer largar prosa noite dentro com vinho e velas, em vez de me deitar a ler um livro, ou então só a dormir, pronto, resolvo tomar a imbecil decisão de ir "só" dar uma espreitadela no facebook e instagram.

A prova disto é que neste fim de semana partimos rumo a Castelo de Vide, um campo daqueles tão verdadeiros que nem rede de telemóvel tem, quanto mais internet.

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(quem mora no campo, viaja para o campo. <3)

 

Fomos nós e respetiva ninhada de terroristas, e casal cunhados, com respetiva prole de três crianças. E apesar das 5 crianças, das refeições, das conversas à lareira, dos passeios e mergulhos no rio, saltos à fogueira e coelhinhos de chocolate escondidos, aqui a je mandou-se a um livro que já há muito tempo queria reler com a devida atenção, COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ. Viram isto? TIVE TEMPO!

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E esta, heim? Facadas no peito, sou uma besta.

 

Acabei de assassinar assim à bruta o primeiro assassino que mencionei. Não são as crianças que me impedem de ler. É preguiça mental que é viciante e o tempo que aplico a olhar para a porcaria do telemóvel.

Posto isto, impus a mim mesma um controlo neste vício. Ainda para mais agora recebo alertas que me avisam o tempo que passei em cada rede. (medo.)

Voltem livros, vinde à mamã que vos ama de paixão e promete dar-vos toda atenção que merecem. Preciso de vós, estou a ficar vazia, por isso vinde e encham-me a alma de sabedoria e imaginação!

Estou a reler este:

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(que violência de escrita tremenda, chego a ficar enjoada)

E vocês? 

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