Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Saltos sem altos

Saltos sem altos

Quarentena - #dia cento e vinte e quatro mil duzentos e oitenta e seis

23.03.20, Ana sem saltos

WhatsApp Image 2020-03-23 at 15.56.52.jpeg

(atualizando stock de vitamina D)

 

Não é esse o dia, mas parece, e eu até tenho a sorte de viver no campo o que torna a quarentena bem mais suportável. Isto para vos dizer que estou viva e de saúde, capaz de jurar que não toco em atum até junho 2045; os meus filhos, surpreendentemente, até estão a gostar disto, o que significa que qualquer coisa estamos a fazer bem.

messy.gif

(tá tranquilo, tá favorável)

 

As coisas não são perfeitas como tantas vezes queremos fazer parecer, mas temos adotado algumas estratégias para manter os níveis de sanidade acima do zero, nomeadamente:

- Acordamos todos cedo (mesmo que não quiséssemos temos filhos madrugadores) maneiras que às 9 todos estamos todos lavados (eu até mantenho o rímel e o secador, que uma mulher vaidozona é uma mulher vaidozona, e não há nada como limpar retretes maquilhada), vestidos e prontos para começar a trabalhar.

dressed up.png

(tampo da retrete: check, passemos delicadamente ao bidé)

- A escola do recém-nascido mais velho está de parabéns. A turma reúne-se toda as 9 em ponto com a professora via zoom, têm aulas, partilham trabalhos e fazem atividades em pares. Estou verdadeiramente fascinada com isto das tecnologias e com a capacidade de adaptação de todos eles (até põem o dedo no ar para falar!!!!). Se nos primeiros dias parecíamos loucos a tentar atinar na hora da chamada, abrir email, e saber o que ele tinha de fazer, agora é ele que faz tudo de forma autónoma. Quando isto tudo acabar atiro-o para dentro do Toysrus e só o deixo sair de lá com 14 carrinhos cheios.

#revengeconsuption

- O recém-nascido mais novo, agora sem o seu primeiro dente de leite - ainda me estou a recompor desta calamidade que é eles crescerem desenfreadamente e sem autorização - já cavou um buncaro capaz de nos abrigar a todos dentro em breve. Se puser os óculos consigo ver os nativos da Nova Zelândia lá ao fundo a acenar.

- Almoçamos todos juntos, e quando dá temos o privilégio de o fazer na rua. Sabe bem este tempo de família.

Mas também berramos, discutimos, impomos regras para as ignorar logo a seguir.

_ ESTÁSPROÍBIDODEJOGARATÉAOFIMDAQUARENTENA, PRONTO ESTÁ BEM JOGA LÁ SÓ MAIS UM (que afinal são 24), isto tudo sem respirar, no mesmo segundo, na mesma frase, no mesmo grito.

desperate-15.gif

('TÁS A PERCEBER OU NÃO?!?)

 

Esta incerteza que se mantem no ar, taco a taco com a porra do vírus, traz alguma ansiedade. Vamos teletrabalhando, num esforço por manter a produtividade, ser criativo e reinventar o negócio, entre os milhões de lanches deles, discussões e SAIDAFRENTEDOECRÃIMEDIATAMENTE.

Faz-se o que se pode.

Continuo a regar-me de esperança, entre um grito, um email, e uma mini - que uma mulher não é de ferro - mas estou orgulhosa do meu cesto de roupa que finalmente mostrou o seu fundo, das gavetas a brilhar com talheres arrumados por ordem alfabética (seja lá o que for isto que acabei de dizer), e do chão que parece um espelho.

Também estou chateada com a anormalidade do timing que escolhi para me estrear no verniz de gel - uma semana antes de nos fecharmos todos - e tenho muitas saudades das minhas mãos despidas desta cena que já vai a meio da unha e toda a estalar. 

#ripmãosbonitas

E vocês? Como vai tudo?

 

 

 

5 comentários

Comentar post