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Saltos sem altos

Saltos sem altos

Ter ou não ter mais filhos - eis a questão

08.05.19, Ana sem saltos

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(Recebemos esta fotografia por whatsapp de um amigo com a legenda: "Ficam-vos mesmo bem deste tamanho! Pensem nisso!". Com amigos assim quem é que precisa de inimigos?)

 

Como sabe quem me lê, sou uma jovem idosa mãe de dois filhos, atualmente com 8 e praticamente 5 anos mas que mais parecem 12, rapazolas dengosos que me enchem a alma de pânicos, fúrias e estrondos de amor.

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(Recém nascidos soberbos que já não se afogam <3)

 

Ser mãe é sem dúvida, e apesar de todas as queixas, que eu sou mulher queixosa, a função suprema deste meu pobre coração. Acrescente-se que tenho assim uma loucura por bebés. Não posso ver um que sinto logo espasmos no útero, desato a falar à bebé, adoro snifa-los, aquele cheirinho maravilhoso que desaparece não sei bem quando. Tenho um instinto maternal digamos que bastante fértil. 

#loucaporcrianças

#comadevidamoderação

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(Porque os filhos dos outros são, porque os filhos dos outros são, o arquétipo da perfeição)

 

Então, Ana sem saltos, porque não tens tu mais criançada a encher-te a casa e a alma?

A resposta assim, pow, é deveras simples. Porque já não me cabe mais nenhuma, nem em casa (amorosa e microscópica) NEM NO CORAÇÃO. (desculpem o grito).

Lembro-me em épocas remotas de namoro, eu e adónis que me esposou fazermos planos a ver o pôr de sol no mar de enchermos uma casa com 6 filhos. E estávamos plenamente convictos disto, ninguém nos demovia de desatar a multiplicar o nosso amor em crianças felizes e adoráveis com o nosso sobrenome. Isto, é claro, é daqueles planos que se fazem ANTES de se ter filhos, tipo aquelas teorias maravilhosas de todas as pessoas que são pais perfeitos precisamente porque não são pais. A experiência depois vai-nos carregando o ego da devida modéstia e moderação, porque, claro está, uma coisa é projetar, outra coisa é viver o que projetamos.

Além disso, apesar de todo este instinto que vos falei, padeço de um problema assim a dar para o grave. Chama-se ele ansiedade neurohistérica, principalmente na fase deles bebés. A foto a cima,

maravilhosa, confesso que me deixou ali uns milésimos de segundos a pensar, ai jesus e se, e se, e seeeeeeee....

tem toda aquela aura de paz, calma e beleza porque... o filho não é meu. O que significa que dormi na noite anterior 8 horas, acordei sossegada da vida para a faxinada da casa, tive tempo para o meu banho e os seus 389 cremes, fizemos um belo repasto com uma mesa bonita, e não tive de bater sopas de borrego. Caso contrário, e supondo que aquela coisa AMORSAPELAMORDEDEUSAMOBEBÉS era meu filho, eu estaria desgrenhada, pálida, com olheiras, e a panicar com a hora da sesta que já passou, e se passa tou lixada porque quer dizer que a noite vai ser má, e eu não aguento isto, ajudem-me por favor, amo-te tanto.

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(à beira de um colapso de amor)

 

É assim que sou, não há volta a dar.

Estamos numa fase muito boa agora, eles já têm um grau de independência apetecível, conseguimos começar (COMEÇAR) a conjugar paternidade com vida pessoal e namoro desenfreado, que sou mulher que ama namorar e, honestamente, foi uma fase muito difícil de alcançar. A nossa rede de apoio não é propriamente brutal, tudo nos sai do próprio coiro, desde a retrete lavada, à camisa estendida, ao banho dado, e à noite malpassada, maneiras QUEEEEE....

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Este útero fechou portas, e agora queremos gozar bem, muito bem, o que de maravilhoso já criamos.

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