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Saltos sem altos

Saltos sem altos

Vantagens de não ter empregada

18.03.19, Ana sem saltos

Estava eu este fim de semana no meu momento de instrospeção semanal, sozinha em casa a aspirar/esfregar/varrer/limpar/sacudir/bater, quando penso para mim:

Pobres almas que têm empregada.

Isto num daqueles momentos em que começamos a ver o caos a ganhar um espécie de ordem, aquele tipo de ordem que só o dono do caos compreende. São momento de reflexão intensos, estes em que me atiro à bodega de uma semana como se não houvesse amanhã. Em primeiro lugar, saberão vocês, pessoas que aos sábados de manhã têm como dilema a escolha do lugar do brunch, o PRAZER absurdo que uma pessoa sente quando mete o aspirador a trabalhar numa sala não aspirada há horas suficientes para ouvirem aquela sonata INACREDITAVEL das porcarias a entrar aspirador a dentro???

Quem não conhece este tipo de detox de alma é infeliz, só pode. Não há sensação de satisfação e concretização maior do que aquele brhbsbdughkjasdbKSBbrhjbasdb que fazem as miglhas, pedrinhas, areia, paus e caruma a serem implacavelmente sugados pelo aspirador. Já não falando do climax vitorioso pós sonata: meter o pé descalço no chão E NÃO SENTIR UM UNICO GRÃO DE AREIA!

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(sonata ao luar)

Em segundo lugar, para quem precisa de uma tonelada de estímulos para se sentir minimamente satisfeito na vida - um spa, um almoço num restaurante com 7 estrelas michelan, etc etc etc -  vou-vos dizer, que eu sou amiga e acho que este mundo está a ir na direção errada.

Está tudo mal.

Está mal por várias razões, e a primeira é porque, enfim, é caro. Uma pessoa mete a pata fora de casa e, PIMBA, já está a pagar. A segunda... ora eu sou uma mulher naturalmente exausta, que eu sei que sou, mas vou-vos dizer, antes esfregar 47 azulejos da cozinha do que viver nessa permanente corrida para combater a insatisfação, num mundo cada vez mais (irrealmente) instagramavel. Esqueçam filhos, que canseira. Satisfação pura é a de estrear uma esfregona nova.

rainha de ingatera.jpg

(#eternamenteinsatisfeitos)

Em terceiro lugar, e agora mais pedagogicamente falando. Não ter empregada é uma lição de vida para os pequenos monstrengos que temos em casa. É não só porque inevitavelmente os pomos a colaborar connsoco - mais não seja a içarem as pernocas para passarmos a esfregona por baixo - mas também porque eles vêm uma coisa que esta era parece querer ocultar. Viver dá trabalho, ter coisas dá trabalho, conseguirmos o que queremos dá trabalho. Na verdade, são precisamente as coisas que nos dão trabalho, que nos ensinam a valorizar devidamente este amontoado de bençãos que nos chovem no colo diariamente, e que tantas vezes não somos capazes de ver. Coisas essas que podem ser tão simples como obervar um vidro da janela da sala de tal forma imaculdo que leva um ou dois passarinhos ao engano e inevitável e descomunal cabeçada. Ainda que este vislumbre de limpeza dure apenas. DOIS. MINUTOS.

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